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  • Review: Kendrick Lamar – g.o.o.d kid, m.A.A.d city

    Ott 31 2012, 4:31




    Ao longo dos quase oito anos de carreira Kendrick Lamar (25) lançou cinco mixtapes e um disco (Section.80), lançado no ultimo ano de forma independente. Até então ele esteve se mantendo sobre o apoio do grupo TDE – você já deve ter visto ele usando um moletom com essa sigla estampada -, onde ele é membro. Mas foi a partir do lançamento das ultimas duas mixtapes que Kendrick começou a ganhar cada vez mais espaço nas publicações de blogueiros; até que seu som chegou aos ouvidos de Dr. Dre.

    Dre gostou tanto do seu material que – segundo ele – largou o projeto Detox e logo resolveu contratar Kendrick para fazer parte de um projeto de renovação da antiga Aftermath. Kendrick, fã de Dr. Dre logo aceitou o convite, e a partir daí ele passou a ser visto como esperança para o rap da West Coast; já que ele é de Los Angeles e seu rap se assemelha com a cultura local. Passaram-se alguns meses e enfim g.o.o.d kid, m.A.A.d city foi lançado.


    Construído de uma forma bem distinta, porém simples, g.o.o.d kid, m.A.Ad city se diferencia de seus outros trabalho. Em forma de conto, o disco trás um curta-metragem onde Kendrick é o personagem principal que tem 17 anos e viaja por Los Angeles dentro da van de sua mãe – essa da capa – contando historias; o roteiro do disco foi dividido entre as 12 faixas poetizadas por Kendrick. Iniciado por uma oração feita em família, as rimas de Kendrick Lamar se entrelaçaram entre os interlúdios – fundamentais – que aparecem ao fim e no inicio de algumas das faixas, esses interlúdios são trechos de uma conversa de seus pais com a caixa postal do celular de Kendrick; conselhos, declarações de amor e brigas aparecem durante esses trechos, que surgem do nada no final de uma faixa, é como se fosse uma cena, mas você continua na mesma faixa, e essa sensação de ter diferentes atmosferas em um mesmo som, você sente em quase todo o disco. Kendrick apostou em diminuir o numero de faixas, que foram compensadas em uma duração maior de suas musicas. A maioria das faixas tem duração acima de 5 minutos, o que pode fazer você pensa que o disco é massivo e cansativo; mas na verdade não é. Kendrick teve criatividade o bastante para saber conduzir essas musicas de grande duração, as suas diversas mudanças de voz e suas historias bem contadas, faz você ter a curiosidade do que está por vim, como em The Art of Peer Pressure – quarta faixa do disco – que é iniciada por uma cômica melodia arrastada, típica dos raps da década de 90, melodia que não dura por muito tempo, a cena muda quando Kendrick surge sobre um clima obscuro, trazendo sua introdução ao rap gangster, e a partir daí surge duas faixas onde temos as primeiras colaborações – personagens – do álbum. Jay Rock e Drake fazem um bom trabalho, mas como em todo o restante do álbum, não conseguem seguir Kendrick, que se mantêm no comando de todas as faixas, as historias interessantes são dele e as colaborações não passaram de coadjuvantes.

    O grande destaque nas colaborações foi um artista que mal teve seu nome citado no disco, falo de Pharrell Williams: o figurante na cena de good kid; bom, ele produziu a musica e também colaborou, fez o refrão, nós já sabemos que o Skateboard P tem uma ligação muito boa com os rappers da West Coast, Snoop Dogg – com o refrão de Beautiful – que o diga, e como Kendrick leva no seu sangue esse estilo californiano, Pharrell parece ter se dado bem com ele, a ligação entre os dois saiu tão sincronizada que logo nas primeiras partes da musica você tem a sensação daquela ser a melhor musica que você escutou no ano. Na sequencia temos mAAd City, quase uma continuação de good kid, mas o contrario, maad city deixou as melodias e o clima g-funk de lado para introduzir um progressivo rap divido em duas partes; produzidas por Sounwave e Terrace Martin, a primeira parte da musica é marcada pela moderna produção induzida por graves ensurdecedores, já na segunda parte um lado clássico colaborado por MC Eiht ganhou destaque. maad city é um verdadeiro gangster rap, um moderno gangster rap que leva em sua identidade a sonoridade nativa de L.A, que foi finalizada pelos clássicos scratch repetindo o nome do território mais famoso da Califórnia: Compton.

    A partir da apresentação da melhor parte do filme – álbum – você fica cada vez mais curioso do que está por vim, e se depara com Swimming Pools (Drank). Primeiro single do disco, a faixa realmente tem um apelo comercial que você não saca no restante da obra, foi uma boa escolha para single, o seu refrão repetitivo e os rápidos versos cheios de modificações na voz, faz uma ligação interessante com o instrumental que evoluí durante a canção que não tem nada de “West Coast”. Entretanto a canção é uma ótima musica, e coube perfeitamente dentro da historia do disco, a sua extensão relacionada à versão anteriormente lançada, trouxe um inédito verso e um capítulo novo do interlúdio. No capitulo seguinte encontramos a agradável Sing About Me, I’m Dying Of Thirst, – a maior faixa do disco – são 12 minutos de uma canção que vai se modificando conforme Kendrick desenvolve sua historia, entre um refrão cantado por ele que repete a frase “Promise that you will sing about me”, marcando todo o conteúdo da musica. Porém na segunda parte não existe refrão, é um rap de quase 3 minutos onde Kendrick comenta sobre violência e sugere mudança, uma oração finaliza a faixa e dá espaço para Real, penúltima faixa do disco, que se tem sensação de ser a ultima parte da história. Real pode ser resumida em uma grande canção de amor, que ao fim dos dois primeiros versos a frase “But what love got to do with it when you don’t love yourself?” é repetida. Por fim, o interlúdio de maior duração do disco vem com seu pai comentando sobre sua futura ida para o rap; após o refrão “Sing my song, it’s all for you” ser repetido dezesseis vezes sua mãe aparece falando, pedindo para ele se manter humildade em seu trabalho, e não se esquecer de suas origens, mostrar ao mundo que uma pessoa de Compton pode sim ser tornar em uma pessoa positiva, basta querer, e não ser influenciado pela violência que você ver ao seu redor, o conselho é completado pelas palavras: “And I love you Kendrick, if I don’t hear you knocking on the door you know where I usually leave the key. Alright? talk to you later, bye”, e assim você ouve o barulho de uma fita cassete sendo introduzida e girando em alta velocidade trazendo Kendrick aos dias de hoje. Assim surge Compton, ultima faixa do disco, que tem a ilustre colaboração do seu “padrinho” Dr. Dre. A produção da musica é por conta de Just Blaze, logo no final da musica você escuta uma tag anunciando seu nome. A musica é incrível e fecha o disco com um altíssimo teor de celebração, onde se cria a ilusão de Compton ser um território de Dr. Dre, que transfere seu reinado para Kendrick Lamar, que entusiasmando canta o refrão “Compton, Compton, ain’t no city quite like mine”. A musica acaba e você ouve Kendrick avisando sua mãe que vai pegar a van emprestada e devolve em 15 minutos, levando você ao inicio da historia.

    O modelo como Kendrick Lamar resolveu apresentar g.o.o.d kid, m.A.A.d city não é nada inovador, ele provavelmente se inspirou nos dois álbum de Dr. Dre, principalmente em The Chronic (1992) que tenta seguir esse modelo de se ter uma historia. Mas a grande surpresa disso tudo foi como Kendrick fez isso acontecer, ele se mostrou bastante corajoso e criativo, pois se manteve cheio de ideias durante todo o álbum, nenhum período do disco foi dispensado. Para entender as historias você precisa ouvir todas as faixas, ele conseguiu levar ao ouvinte historias interessantes que gerassem curiosidades. Ainda assim com a colaboração da produção dirigida por Dr. Dre, que trouxe uma boa atmosfera musical coordenando com o que Kendrick estava falando. Classifico esse disco como o grande lançamento do ano, e também um grande marco para o rap da Califórnia, que estava meio esquecido e pacato, assim como Dr. Dre, que desde 2002 não estreava um novo artista, pois bem, a Afthermath desde o lançamento de The Big Bang de Busta Rhymes esteve praticamente parada, muitos boatos de um possível retorno da lendária gravadora surgiram ao longo dos anos, mas assim como Detox, ninguém acreditava. E então 6 anos depois finalmente Dr. Dre botou lenha na brasa e Kendrick surge como se fosse um incêndio. Eu não sei até onde Kendrick pode ir, não faço ideia do que ele pode mostrar em seus próximos álbuns, mas para o momento ele criou o melhor álbum do ano.

    Nota: 10
  • Review: Gym Class Heroes - The Papercut Chronicles

    Apr 15 2012, 0:54



    Hoje falar sobre uma banda de rap que não é o The Roots. Mas também conseguiu fazer sucesso, emplacou hits, e hoje é sensação entre os jovens que assistem Boomerang.

    Parte desse sucesso todo veio através de um single do The Papercut Chronicles, a conhecida Cupid's Chokehold. Essa musica fez tanto sucesso, mas tanto sucesso, que eles conseguiram contrato com gravadora, fizeram uma turnê mundial e ainda ganharam um VMA de artista revelação - competindo com Amy Winehouse e Lilly Allen. Mas por causa desse sucesso todo, eles tiveram que mudar o conceito da banda, eles tiveram que escolher entre continuar a fazer musica alternativa ou consegue sucesso comercial; optou-se por relançar Cupid's Chokehold no novo disco, As Cruel As School Children. Já dava para perceber que a banda estava ficando mais pop, os tempos mudaram, eles deram uma pausa, lançaram The Quilt - o disco mais rap deles - e não conseguiram a fama obtida do disco anterior. Mais uma pausa para a banda, dessa vez o hiato parecia ser infinito, até que Travie McCoy finalmente lançar seu álbum solo, o sucesso do disco foi imediato, ele estava completamente pop. Então ele resolveu voltar a banda, no começo as entrevistas pareciam ser bem esperançosas para os fãs, o disco intitulado de The Papercut Chronicles II, dava uma minuciosa esperança de eles voltarem ao estilo do primeiro álbum.

    Mas que nada, eles terminaram lançando o álbum mais pop da carreira, o disco foi completamente criticado pelos fãs, mas obteve boas vendas, emplacou o maior hit da banda - Stereos Hearts - e logo na sequencia Ass Back Home, mais um single platinado. Hoje eles são conhecidos mundialmente pelos últimos singles de sucesso, pelas colaborações com o Fall Out Boy e também por ser a banda de Travie McCoy.

    Agora que você está sabendo um pouco sobre o Gym Class Heroes, já podemos falar sobre a primeira parte do ultimo disco lançado.

    O álbum The Papercut Chronicles é tão diferente, mas tão diferente, que até hoje ninguém conseguiu fazer um disco parecido com esse. Ele é uma mistura de pop-rock com um rap completamente descolado, musica para as ruas, os temas vão desde os clichês: amor e festas, para pensamento no futuro, perspectivas, e essas coisas todas que fazem as duvidas de um adolescente. O Travis que na época estava completando 24 anos, tinha acabado de largar a faculdade de artes para entrar de vez na musica; se manteve por muito tempo vendendo quadros - pintados por ele mesmo, para arcar com as dispensas da banda. O grande empenho para se tornar um grande musico deu certo. Travis rimou, criou melodias e ainda tocou guitarra na maioria das faixas. Resumindo: o disco saiu bem "cabeça", quase não se ouve futilidades, a produção é digna de uma grande banda de rock, a sonora ficou totalmente experimental, baixo com pegada funk, solos emotivos na guitarra e uma bateria que acrescenta a percussão perfeita. Por fim, Travis terminou ficando na banda, o disco não fez sucesso imediato, e o resto vocês já sabem.
  • Review: The Roots – Undun

    Gen 13 2012, 4:30



    Uma banda de rap que mistura o soul, funk, rock, pop, e ainda continua com a essência rap? Bem isso é só o The Roots, que conseguiu fazer ao longo desses 18 anos de estrada. Em seu décimo álbum, a banda multi-instrumentista contou ao longo de 14 faixas a historia fictícia de trás para frente de um jovem chamado Redford Stephens. Criado dentro de um cenário pobre, onde mais tarde optou pela vida do crime, cresce, vira traficante e morre quando ainda era jovem - aos 25 anos. Em Undun, a historia é relatada de forma bem sentimental, misturas experimentais da musica soul com a musica clássica de Beethoven e as rimas Black Thought descreve a vida de Redford.


    Ao longo dos rápidos 30 min de disco, o The Roots foi completamente experimentalista, diferente dos seus últimos trabalhos, esse trabalho veio mais sinfônico, dando destaque ao resto da banda, e deixando todo o disco conduzido sobre bases instrumentais. Isso fez o Cd criar uma sonora bem agradável, o que animou muito os fãs da banda.

    Como eu já disse antes, Undun é inspirado na historia de Redford, mas de uma forma nada convencional, o conto é relatado de trás para frente, tanto que o inicio do disco: a faixa “Dun”, se ouve barulhos da máquina que não detecta mais sinal cardíaco; na sequencia, em tom de suspense, começa a genial Sleep, dividida em três partes, ela conta sobre os pesadelos e reflexões da vida em que Redford poderia ter tido. Make My o primeiro single do álbum, vem com a colaboração do novato Big K.R.I.T., a musica é bem emotiva, a letra explora os sentimentos de pânico e medo, ao fundo se ouve de forma suave um coro embalando de um refrão marcante de Dice Raw, que participa da maioria das faixas do disco. A sequencia do disco segue essa linha “dark”, mostrando que houve um tempo de esperança para a vida de Redford. Chegando ao fim, onde a historia se inicia, ?uestlove junto aos instrumentistas do Roots se jogam durante quatro faixas onde não se ouve voz, e sim bateria, violinos ensurdecedores e um piano que vai ganhando destaque no inicio da “seção instrumental”, dando fim a um dos melhores álbuns de 2011.

    Nota: 10
  • Review: Kanye West - Late Registration

    Ago 18 2011, 20:46




    Muitos falam que Late Registration é a continuação de The College Dropout, ou então os mais ousados diz que ele é a sobra do álbum anterior. Mas não é bem isso que eu vejo, pois considero a pegada soul, jazz, anos 70's do College muito diferente do Late Registatrion.

    Um álbum longo, em que são apresentadas varias falsetas de Kanye West. Ele inicia com uma amostra de sons contagiantes e melodias viciantes, a sequencia entre Heard 'Em Say e Gold Digger é sem duvidas a parte mais animada do álbum; Kanye vai ao ápice de sua euforia no refrão de Touch the Sky, os samples ainda ficam escondidos em Heard 'Em Say, mas em Gold Digger o sample de Ray Charles com a canção Got a Woman é exibido por Jamie Foxx que não vacila e trás a Kanye West um de seus maiores hits;

    Gold Digger seria apenas o começo do que esta ainda por vim, pois apos a Skit #1, o Cd segue uma linha mais sombria; por tanto, Drive Slow dar partida nesse segundo ato do álbum, samples são mostrado sem medo e Kanye esquece os refrões melódicos, pois a partir de Drive Slow rimas e mais rimas são jogadas e colaborações de rappers aparecem, Common faz sua parte na pequena My Way Home, e logo em seguida Crack Music leva o rap de Kanye West a outro nível, pois o soul é introduzido e vocais dão uma sensação "dark", por fim The Game faz uma pequena colaboração na canção levando um pouco de rapper agressivo e fazendo um mixers com os vocais femininos na ponte da musica.

    Eis que surge Roses - minha musica preferida, que nada mais é uma musica completamente diferente que tudo que foi visto antes, ela inicia como um freeestyle, Kanye não se limita nas rimas, e solta tudo o que estava pensando, o refrão vem seguindo do sample de Rosie de Bill Withers, o que o deixa ainda melhor, e até o momento, aparenta-se ser a musica mais triste do Cd, por fim, uma segunda parte é introduzida, dando mais destaque aos vocais do sample, e o beat fica mais agitados, o que ocasiona a sequencia da próxima musica Bring Me Down, que tem um refrão marcante com Brandy, e uma letra mais sentimental. Addiction finaliza esse segundo ato do álbum na mesma forma que foi iniciado, com uma sensação obscura, dando maior destaque aos samples femininos.

    O terceiro ato do álbum começa quando Diamonds from Sierra Leone chega, ainda com a sensação "dark", Kanye West mostra sua agressividade nas rimas, vindo de um refrão que introduz o sentimento da musica, dando uma sensação de estar em uma opera, violinos são riscados e surge Jay-Z, que finaliza a musica, junto com o refrão gritante.

    We Major vem sendo introduza com o estranho flow de Really Doe. Kanye West aparece apenas no refrão, e segue as rimas como em uma conversa, até que Nas aparece e mantem o ritmo leve da musica, e ela se estende até os vocais soul/R&B; a musica começa uma nova fase, é como um bom incremento essa finalização, e por fim Kanye West retorna, e a musica volta a ser um bom som de rap, até que ela é finalizada sobre vocais de Tony Williams.

    Apos a parte mais rap do álbum ser apresentada, Kanye West volta a falar sobre seus sentimentos, e Hey Mama é a canção, diga-se de passagem uma das mais linda homenagem a sua mãe; Kanye arrisca em cantar - e até que não ficou ruim, as rimas são rápidas, uma sensação gostosa dar quando o refrão chega, o sample é de Today Won't Come Again, mas é cantado por John Legend. A musica é uma das mais experimentais do álbum, pois são muitos instrumentos usados no beat; e por fim Kanye West ainda assume uma ponte chamando sua mãe diversas vezes, a musica é finalizada em um alto astral que é demonstrado em Celebration, onde Kanye assume rimas lentas e um refrão viciante, que faz você cantar facilmente; o mixer entre os instrumentos soprano levam a musica para a pegada vintage de Gone, o próximo som e ultimo do álbum.

    Kanye West já fez todos dançarem com a primeira parte, a mensagem sobre amor foi transmitida e o rap para as ruas também, por fim teve uma amostra de experimentos, ele até cantou e rimou na mesma musica, mas ainda faltava algo, ele precisa colocar isso tudo junto, e Gone é simplesmente isso, Kanye levou o rap a opera, e ainda convidou Cam'ron e Consequence para rimar junto a ele. O som é um rap daqueles para as ruas, mas Kanye levou em conta os samples e elementos que deu tão bem durante o álbum, e as rimas foram meio conduzidas com a sonoridades dos instrumentos.

    Kanye gostou tanto desse jeito agressivo de rimar, que adicionou as musicas bônus do disco, Diamonds from Sierra Leone em uma versão sem o verso de Jay-Z , e por fim Late. Pronto, o segundo trabalho solo de Kanye West é finalizado com uma canção leve, com refrão fácil e rimas lentas.

    Late Registration é um dos trabalhos mais arriscado de Kanye, pois ele levou a serio em introduzir a soul music no rap, e até que deu certo, na verdade deu muito certo, tanto que até hoje, seis anos após o lançamento, ele é lembrando de forma boa... vindo cheio de elogios e para muitos esse é o melhor trabalho do rapper de Chicago.

    Nota: 10
  • Review: The Cool Kids - When Fish Ride Bicycles

    Lug 23 2011, 21:38



    Após um bom tempo de espera, o duo de rap alternativo, The Cool Kids, resolveu lançar o seu aguardado primeiro Cd. Sim o primeiro álbum ainda, pois o The Bake Sale lançado no verão norte americano de 2008, foi somente um EP.

    Ao longo desses mais de 5 anos de carreira, o produtor e também MC Chuck Inglish e o MC, Sir Michael Rocks, juntos tentaram mostrar uma nova forma de fazer rap, um jeito divertido, diferente e ainda puxar aquela inspiração vintage do rap da decada de 80. The Cool Kids, logo em seu primeiro trabalho, a mixtape That's Stupid!, que chegou a ser exageradamente elogiada pela critica especializada, foram comparados com a dupla Eric B. & Rakim, e eles foram classificados por muitos, como o novo modelo de rap alternativo, sites como Myspace e Pitchfork começaram a publicar musicas e noticias sobre a dupla, tanto que na metade do ano de 2008, foi lançado o EP, The Bake Sale, considerado até hoje um dos trabalhos mais influentes na cena do rap alternativo. O EP trouxe grande referencias a "era do ouro" na década de 80. Os beats eram de produções de Chuck Inglish, e muito diferentes de trabalhos de Dr. Dre ou Timbaland, as batidas de Chuck são minimalistas, variando entre sonora acústica e repetições de frases com graves hipnóticos.

    E naquele momento isso era quase que inédito pois Chuck arriscou lançou batidas pesadas para The Bake Sale. Depois do sucesso do EP, a popularidade aumentou e foram chamados para trabalhar com pessoas como Ludacris, Curren$y e a banda Maroon 5; mas vários problemas com a gravadora, atrapalhou o lançamento do prometido primeiro Cd da dupla, intitulado de When Fish Ride Bicycles que é uma expressão inglesa equivalente à nossa “Quando porcos criarem asas".

    Mas depois de muita espera, em 12 de junho desse ano, ( na semana passada) foi lançado When Fish Ride Bicycles.

    O Cd é um trabalho que mistura tudo o que Chuck e Mikey veio trabalhando ao longo dos anos, a mistura de samples e sintonizadores de voz da mixtape Tacklebox e as batidas boom boom pat das mixtapes That's Stupid! e Gone Fishing, acrescentando a ajuda da dupla Neptunes.
    Falando sobre a lírica, as rimas são leves, nada muito agressivo, Mikey rima como se estivesse em uma conversa entre amigos, nada de estresses alá Tyler, the Creator e nem gemidos alá Kanye West, mas uma de uma forma preguiçosa, lembra Snoop Dogg. Chuck também não passa nenhuma mensagem política em sua rima e muito menos criticas à policia, mas eles dois juntos, rimam sobre tudo o que um jovem quer escutar, mas de uma forma divertida, pois são diversas refencias e metáforas sobre rolês de bikes, tênis, moda, basquete, filmes antigos, e garotas,e como falam de garotas.

    Participações de Ghostface Killah e Bun-B podem servir de atrativo para o Cd, mas colaborações como a de Asher Roth e Chip Tha Ripper passam despercebidas na musica Roll Call. A tentativa de deixar o Cd mais comercial é o ponto fraco do Cd; musicas como Boomin' com a colaboração da Tennille, Summer Jam com a Maxine Ashley e Swimsuits, são as que destaco como piores do Cd, elas não passam de uma tentativa falha de tocar The Cool Kids nas radios pop, mas isso as deixou fora do contexto do Cd, e até mesmo deixando-o forçado e chato.

    Os pontos altos do Cd passam da criatividade da fantástica capa até as musicas que mostram a essência do Cool Kids, como batida forte, que faça tremer as janelas do seu apartamento; um grande destaque para Bundle Up, GMC e Rush Hour Traffic que por ventura é a melhor do Álbum. Get Right é quase uma musica do N*E*R*D, Pharrell ficou no refrão, e o beat veio a ser conduzido por Chad Hugo, trazendo até uma agilidade de rimas do Mikey e Chuck. Sour Apples não passa de uma sobra do Give The Drummer Some (trabalho do baterista Travis Baker que teve participação do The Cool Kids), na musica foi adicionado uns efeitos, para deixar ela com a cara do The Cool Kids, mas para quem escutou Jump Down do Travis, consegue identificar a semelhança, e me parece que o Travis ficou com a melhor musica e deixou o resto o Cool kids reciclou.

    Bom eu chego à conclusão em que When Fish Ride Bicycles não é o melhor trabalho lançado por eles, mas sim é um dos grandes Cd's de rap lançado esse ano, chegando a sair na frente de estréias como de Big Sean, Tyler, the Creator e Wiz Khalifa, que chegaram ao mainstream cheio de moral. Acredito que você não vai ver musicas do The Cool Kids passando na Mix FM e muito menos sendo comentadas no Fantástico; mas o Álbum já é um sucesso entre os críticos, e chega a ser sim, o passo para o mainstream em que o grupo tanto precisava.

    Melhor Música: Rush Hour Traffic

    Pior Música: Boomin' (feat. Tennille)

    Nota: 6