Diario

  • Review - Bury Tomorrow, Hands Like Houses, Close Your Eyes, Lock & Key, Every Man Is…

    Nov 1 2014, 2:32

    Terça 28 Out – HEAD UP! For The Fall Tour '14



    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui!

    Depois da estreia em Portugal no início deste ano, como banda de suporte nos concertos de apresentação do último trabalho dos More Than A Thousand, os Bury Tomorrow regressaram a solo luso como headliners e com ‘Runes’, o seu mais recente registo, ‘debaixo do braço’, numa noite preenchida e marcada também por uns igualmente aguardados Hands Like Houses e Close Your Eyes.

    Honras de abertura feitas pelos nacionais Ash Is a Robot, que não conseguimos, infelizmente, presenciar devido aos atrasos e consequentes filas de espera que se verificaram, seguiram-se os Every Man is An Island, adição de última hora ao cartaz.
    Os brasileiros que aproveitaram a oportunidade para expor o seu novo EP intitulado ‘Humans’ revelaram-se uma excelente surpresa, destacando-se pelo metalcore bem trabalhado e executado que praticam e pela resultante combinação característica de peso e melodia.

    Conhecidos da casa, após terem passado pela mesma inseridos na terceira edição da Brothers In Arms Tour, também no início deste ano, os Lock And Key não quiserem quebrar a corrente e através de ‘The Divide’, registo de estreia, imprimiram uma brutalidade admirável vincada no seu veemente mordern hardcore.
    ‘No Acceptance’, ‘So Alone’ e ‘Down But Not Out’ foram algumas das composições interpretadas pelos britânicos, às quais os presentes reagiram positivamente.

    Há muito aguardados em território nacional, os Close Your Eyes cumpriram as expectativas contagiando a plateia com uma prestação enérgica assente no hardcore melódico de raízes pop-punk que cultivam.
    Na verdade, aquilo que os americanos ostentam não anda muito distante, nem supera, a sonoridade que uns Set Your Goals ou The Story So Far praticam, mas a segura e activa postura que apresentaram em palco, bem como toda a empatia demonstrada, aliada a conhecidos temas como ‘Digging Graves’, ‘Valleys’, ‘Song For The Brokens’ e ‘The End’ foi, sem dúvida, uma mais valia que incentivou a maioria a se aventurar nos sing-alongs e stage dives.

    Com uma sonoridade deslocada do restante cartaz, os Hands Like Houses dividiram opiniões. A vertante mais post-hardcore e alternativa dos australianos não obteve um consenso geral, muito em parte pelo uso de vocalizações clean em detrimento dos habituais growls.
    Não obstante, os rapazes de Canberra consentiram uma das melhores prestações da noite, evidenciando mesmo um excpecional trabalho compositivo e técnico, testemunhado em ‘Introduced Species’, ‘No Parallels’ e ‘Shapeshifters’, que satisfez, por certo, os conhecedores do seu trabalho e aqueles que possuem um discernimento musical mais abrangente.

    A noite estava, no entanto, reservada para uns avassaladores Bury Tomorrow, que não deixaram cair o título de headliners por terra. A incrível sequência inicial de ‘Man On Fire’, ‘Royal Blood’ e ‘An Honourable Reign’, que certificaram um começo com chave-de-ouro, provou prontamente todo o ‘poder de fogo’ e explosividade do colectivo britânico, bem como toda mestria na reprodução dos temas ao vivo por parte de Daniel Winter Bates e companhia, mas onde o destaque segue inevitavelmente para o guitarrista/vocalista Jason Cameron pelo extraordinário e fiel registo vocal.
    Transitando entre ‘Runes’ e ‘The Union Of Crowns’, temas como ‘Knight Life’, ‘Watcher’, ‘Scepters’ e ‘The Torch’ deram o mote para completas vagas de mosh e stage dives que só terminariam com ‘You & I’, do registo ‘Portraits’, antes do encore.
    Apesar de um número de presentes muito aquém do registado aquando da sua primeira aparição perante o público portuense, os Bury Tomorrow apresentaram a mesma garra e energia inesgotável que os acompanhou perante uma dimensão totalmente diferente no transacto Resurrection Fest, mostrando assim que a sua dedicação e postura no universo músical recai no amor verdadeiro pelo que fazem e não nos possíveis lucros que possam obter.
    Uma atitude louvável e consentida na final ‘Lionheart’, que assinalou o ponto alto de um concerto, por certo, memorável.

    Agradecimentos:
    Head Up! Shows

    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui!
  • Review - Anathema e Mother's Cake - Hard Club, Porto - 11/10/2014

    Ott 13 2014, 15:40

    Sábado 11 Out – Satellites Over Europe



    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.

    Assistir a um concerto dos Anathema é algo que nos irá marcar sempre. Será sempre especial independentemente do número de vezes que já se tenha presenciado os britânicos em palco. E é algo que sempre acontecerá porque a forte entrega e a exclusiva e acrescida carga sentimental e emocional com que os irmãos Cavanagh e companhia se apresentam ao vivo é única.

    Longe do death/doom que lhes deu origem à quase 25 anos atrás, os Anathema são hoje um ‘produto’ refinado que seguiu uma ordem natural evolutiva e que amadureceu e cresceu com o tempo. Prova desse seguimento é ‘Distant Satellites’, o décimo álbum da carreira que o colectivo oriundo de Liverpool apresentou no Hard Club, volvidos dois anos desde a sua última passagem pelo mesmo local.

    A extraordinária combinação de ‘The Lost Song’ Part 1 e 2’ e ‘Untouchable, Part 1 e 2’, com que os britânicos deram início à actuação, comprovaram prontamente a genialidade criativa e compositiva transversal dos seus registos, bem como a notável junção das vozes de Vincent Cavanagh e Lee Douglas, ao mesmo tempo que cativaram uma sala lotada pela empatia emanada. De facto, o afecto que os Anathema nutrem pelo nosso país sempre foi conhecido, tendo sido intensificado em 2012 quando o músico e produtor português Daniel Cardoso entrou definitivamente para o seio do colectivo, o que torna cada concerto em solo luso ainda mais especial.

    ‘Thin Air’ deu continuidade antes de se atirarem novamente a mais uma sequência de temas de ‘Distant Satellites’, desta vez para as não menos brilhantes ‘Ariel’ e ‘The Lost Song, Part 3’. Quando incentivados por alguém do público a tocar determinado tema mais antigo Danny Cavanagh pediu desculpa informando ao mesmo tempo que não eram uma banda de karaoke e que se iriam manter fiéis ao alinhamento, maioritariamente centrado nos últimos três álbuns, afirmando ainda que gostavam bastante das suas composições antigas mas que apenas achavam as mais recentes melhores. Vincent, em jeito de introdução a ‘Anathema’, acrescentou ainda que evolução de sonoridade foi natural e que a nunca fizeram nada a nível compositivo que fosse contra a sua vontade, algo que o respectivo tema descreve.

    Haveria, no entanto, espaço para ‘Closer’, onde denotamos no final avassalador a impetuosidade de outros tempos, uma ‘A Natural Disaster’ iluminada pelos telemóveis dos presentes e a encerrar com chave de ouro uma enérgica ‘Fragile Dreams’.

    Certo é que, independentemente da setlist escolhida, um concerto dos Anathema terá sempre uma forte carga emocional associada e uma entrega respeitável por parte da banda.


    A abrir a noite, os austríacos Mother’s Cake aproveitaram a ocasião para apresentar o seu álbum ‘Creation’s Finest’ para uma plateia maioritariamente desconhecedora do seu trabalho, tendo deixado positivas impressões relativamente à sua mescla de rock progressivo com funk.

    Agradecimentos:
    Prime Artists / Amplificasom

    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.
  • Review - Resurrection Fest 2014, Dia 3 - Viveiro, Espanha - 2/08/2014

    Ago 14 2014, 0:41

    Quinta 31 Jul – Resurrection Fest 2014



    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.

    O último dia do Resurrection Fest reservou actuações de Testament, Turbonegro, Carcass, Gojira e Five Finger Death Punch, mas a chuva não deu tréguas e foi mesmo protagonista principal.

    O sol, depois de uma manhã chuvosa, ainda se fazia sentir quando os Gallows subiram ao palco principal para assegurar uma das melhores actuações, senão mesmo a melhor, do terceiro dia e de todo festival.
    Depois da saída dos influentes e carismáticos irmãos Carter, que levou muitos fãs a questionar a continuidade e a qualidade do projecto, os britânicos não só cumpriram as expectativas como surpreenderam, provando que a alma do que fazem reside indubitavelmente no trabalho compositivo de Laurent ‘Lags’ Barnard.
    Wade MacNeill, que teve a difícil tarefa de suceder a Frank, mostrou-se à altura com um positivo registo vocal e uma enorme empatia com a plateia. Com um novo álbum já no horizonte os Gallows abraçam da melhor forma possível esta nova fase da sua carreira.

    Com a setlist centrada no soberbo registo ‘The Union Of Crows’ os Bury Tomorrow presentearam-nos, igualmente, com um fantástico concerto, debaixo dos últimos raios de sol que se sentiriam no festival, onde não faltaram boas composições de metalcore catchy e orelhudo como ‘Man On Fire’, ‘An Honourable Reign’ e ‘Lionheart’.

    Os Gojira eram um dos nomes que mais interesse suscitava no cartaz deste ano do Resurrection Fest, mas, infelizmente, deixaram algo a desejar. Apesar de extremamente competentes e de um bom alinhamento, os franceses, que actuaram já debaixo de chuva, denotaram uma espécie de piloto automático que não particularizou da forma pretendida o momento. Talvez tivéssemos as expectativas demasiado altas.
    Afastados da chuva mas de igual modo insípidos, os Caliban, assentes nos últimos registos demasiado genéricos, também não reuniram argumentos capazes de surpreender. A fase ‘The Opossite From Within’ – ‘The Undying Darkness’ – ‘The Awakening’ parece mesmo ter sido o ponto alto da história dos alemães.

    Ao início da noite, pela altura em que os Five Finger Death Punch cumpriam positivamente o seu papel e ecoavam, com os enormes coros que os caracterizam, por um recinto marcado por enormes zonas enlameadas difíceis de ultrapassar, a chuva não dava sinais de querer parar. Chegando a ser completamente torrencial, o que levou grande parte do público a procurar refúgio nas zonas mais abrigadas ou simplesmente a dar por encerrado, prematuramente, o festival, a carga de água que caiu dos céus condenou de forma clara as restantes actuações da noite, de onde sobressaiu unicamente o peso e a intensidade do death metal primordial dos Obituary e dos Carcass, bandas de renome dentro do espectro mais pesado da música metal, que conferiram duas prestações veementes.

    Pelo meio, os não menos importantes e fundamentais Testament, que se apresentaram em modo best of e com uma vontade clara de deixar a sua marca na 9ª Edição do Festival, sofreram também com a chuva que era cada vez mais forte e impossível de suportar.

    Infelizmente, devido às condições climatéricas o festival terminou, para nós e para outros tantos, antes de Turbonegro e Lagwagon subirem a palco.
    2015 irá trazer o 10º aniversário do Resurrection Fest e esperançosamente um cartaz à altura da ocasião. A chuva?? Essa não é bem-vinda e é totalmente excusada!
    Até para o ano Viveiro!

    Agradecimentos:
    Resurrection Fest
    ONP

    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.
  • Review - Resurrection Fest 2014, Dia 2 - Viveiro, Espanha - 1/08/2014

    Ago 13 2014, 15:19

    Quinta 31 Jul – Resurrection Fest 2014



    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.

    Com nomes como Sick of It All, NOFX, Converge e Down a figurar, o segundo dia do Resurrection Fest manteve a fasquia bem no alto com mais uma fornada de grandes actuações.
    A primeira aconteceu logo ao início da tarde quando os Heart in Hand subiram ao palco principal, já para trás tinham ficado concertos de Anal Hard e Iwrestlerabearonce. O colectivo britânico apresentou o último registo ‘Almost There’ para uma plateia bem composta e conhecedora do seu trabalho, comprovando desse modo que a sua passagem pelo festival era muito aguardada. Sem deixar de fora o anterior registo ‘Only Memories’, os rapazes de terras de sua majestade consentiram uma boa presença em palco com o seu respectivo e cativante hardcore melódico.

    O nível foi mantido, de seguida no palco Chaos, pelas prestações de três bandas distintas, nomeadamente Texas In July, Born From Pain e A Wilhelm Scream.
    Com a mudança recente de vocalistas, J. T Cavey sucedeu Alex Mola, os americanos Texas in July mostraram-se aptos para enfrentar uma nova fase na sua carreira, levantando ainda a ponta do véu ao próximo registo ‘Bloodwork’, com o tema ‘Broken Soul’ a presumir um futuro risonho para o quintento.
    Os holandeses Born from Pain mantiveram a tomada mais pesada e com seu o hardcore de raízes metal cultivaram o caos que ia fazendo jus ao nome do palco.
    Por fim os A Wilhelm Scream, apesar da sonoridade mais soft, mantiveram também o público agitado com uma energia inesgotável e o hardcore punk do último trabalho ‘Partycrasher’.

    Os GBH, tal como os NOFX fariam horas depois, reportaram-nos para as origens e para os momentos áureos do punk. Já os Skeletonwicth mostraram, de forma positiva, como grande parte do futuro músical passa pela fusão de géneros, permitindo à mesma não estagnar e não ser mais do que meras cópias de fórmulas musicais passadas.

    Aaron Dalbec foi membro fundador de Converge e Kurt Ballou membro fundador de Bane, desempenhando actualmente funções nas bandas contrárias. Mas factos curiosos à parte, os Bane estariam ao segundo dia do Resurrection Fest comparáveis com os Backtrack do dia anterior. Não só pela massa humana que moveram e pelas reacções que obtiveram mas também pela explosividade que depositaram em palco, que teve o seu êxtase na conhecida e esperada ‘Can We Start Again’.

    Um dos nomes mais aguardados de todo o festival, os norte-americanos Down, cumpriram as expectativas e mostraram argumentos plausíveis para todo o burburinho que suscitam, não sendo unicamente um caso de sucesso pelo seu frontman, Phil Anselmo, ter sido membro integrante dos grandiosos e lendários Pantera.
    Apresentaram os temas no novíssimo EP ‘Down IV: Part Two’, mas foram os clássicos do álbum ‘NOLA’, que compuseram maioritariamente a setlist, a ganhar destaque.

    E se por um lados os Raised Fist não tiraram o pé do acelerador ao longo do seu concerto, o mesmo não se pode dizer dos Converge que tiveram um inicio e um final fervoroso mas passaram por caminhos mais delicados a meio do set, onde o longo tema ‘Grim Heart / Black Rose’ foi uma óptima surpresa para os fãs mais dedicados.
    Apesar de não serem tão caóticos como nas suas anteriores presenças pelo mesmo festival, Jacob Bannon e companhia cumpriram, no entanto, poderão não ter deixado completamente satisfeitos quem já os observou com outro tipo de fibra.

    Contrastantes foram as actuações dos cabeça-de-cartaz NOFX e dos Watain. Se os primeiros criaram uma atmosfera animada onde não faltaram umas boas piadas a acompanhar o punk clássico, os segundos trouxeram consigo toda a obscuridade e misticismo do black metal, onde o elemento fogo foi sempre uma constante da sua teatralidade.

    A terminar o segundo dia, os também velhinhos Sick of It All, que andam de mãos dadas com a história do festival, não tivessem eles marcado presença em várias edições e terem sido os primeiros cabeças-de-cartaz da primeira edição, em 2006, deram uma autêntica lição de música e performance, provando que, a par de nomes como Madball e Agnostic Front, o hardcore da escola nova-iorquina está vivo e continua com uma garra que inspira gerações.


    Agradecimentos:
    Resurrection Fest
    ONP

    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.
  • Review - Resurrection Fest 2014, Dia 1 - Viveiro, Espanha - 31/07/2014

    Ago 11 2014, 21:58

    Quinta 31 Jul – Resurrection Fest 2014



    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.

    O histórico não deixa mentir e o consenso é geral quando se fala num dos melhores festivais espanhóis! Agora, e a apenas uma edição de completar 10 anos, o Resurrection Fest deu um importante passo na sua confirmação como um festival de renome europeu.
    Megadeth, Kreator, Red Fang, High on Fire, Architects e The Ocean foram apenas alguns dos nomes que passaram pelos palcos do festival ao longo do primeiro dia.

    A aposta no metal é cada vez mais forte e evidente, para contentamento de uns e para desagrado de outros, mas gostos pessoais à parte o festival galego apresentou uma vez mais um line-up recheado de projectos de qualidade e nomes sonantes do mundo da música, distribuídos por três palcos, num recinto que foi alargado e melhorado com vista a receber os milhares que se deslocaram propositadamente até à simpática e acolhedora cidade de Viveiro.
    Contudo, devido à quantidade de bandas que compuseram o cartaz e à preocupação da organização em evitar sobreposições, os concertos começaram necessariamente mais cedo que as edições passadas, pelo que, quando finalmente chegamos ao recinto, na altura em que os repetentes Rise Of The Northstar atacavam o palco Chaos, já tinham ficado para trás algumas actuações, como as de Acid Mess, Mutant Squad e a dos portugueses Ash Is A Robot, vencedores do Resurrection Band Contest, que inauguraram a 9ª edição do festival.
    Os franceses, que se assumiram como uma das maiores revelações da edição passada, não descuram na teatralidade e virtuosismo e uma vez mais voltaram a cumprir com o seu beatdown contagiante, ainda que o à muito aguardado álbum de estreia não esteja cá fora.
    De forma algo contraditória, os More Than a Thousand, também eles repetentes, não tiveram o melhor dos concertos que já presenciamos. Não por uma menor entrega dos rapazes de Setúbal ou por um desinteresse do público, mas sim por uma má equalização e definição sonora que deixou muito a desejar e que, desse modo, os prejudicou. Ainda assim, aproveitaram a oportunidade para apresentar os temas do último registo ‘Vol. V: Lost At Home’ conseguindo arrancar reações positivas.

    Vagueando pelos caminhos do rock e alternativo, passando até pelo post-hardcore, os espanhóis Minor Empires foram uma surpresa bastante agradável que assentou bem antes dos aguardados Red Fang atingirem o palco principal.
    O stoner dos americanos instigou o headbang geral com um set focado nos dois últimos trabalhos de estúdio, mas também não foi das melhores actuações que assistimos do colectivo se comparadas, por exemplo, com as suas últimas passagens por Portugal.
    Só com a entrada em cena dos Backtrack é que chegou verdadeiramente o primeiro grande momento do dia, uma vez que trouxeram com eles o hardcore de raízes nova-iorquinas, sinónimo, portanto, de uma explosividade e energia inesgotável que não foi defraudada e que despoletou os habituais 2steps e sing alongs, imediatamente seguidos, no palco Ritual, do djent dos Hacktivist que resultou de uma forma bastante positiva ao vivo e no contexto de festival.
    Se por um lado faltou condimento à actuação dos Crowbar, que acabariam por nos passar algo despercebidos, os Amon Amarth revigoraram a plateia com clássicos como ‘Guardians Of Asgaard’, ‘Twilight Of The Thunder God’ e ‘The Pursuit Of Vikings’ remetendo-nos para um verdadeiro espírito e celebração da mitologia nórdica onde a cerveja e o headbang andaram de mãos dadas.

    Existem bandas que resultam muito melhor em recintos fechados e nem o facto de os The Ocean terem tocado na tenda, aka palco Ritual, os salvou de uma actuação que ficou muito longe do que presenciamos no ano passado no Hard Club, onde os alemães consentiram um dos melhores concertos de 2013. Não nos interpretem mal! Apesar da mudança de guitarrista (Damian Murdoch sucedeu a Jonathan Nido), o colectivo está bom, recomenda-se e consentiu uma boa prestação, mas depois de os ver num recinto fechado, com um jogo de luzes e projeções de imagens impressionantes e com uma maior empatia com a plateia, pelo facto de não existirem grades, é impossível ficar totalmente satisfeito com um mero concerto num festival, despojado da vertente visual que tanto os beneficia e lhes é característica.
    Já os Architects, um dos nomes mais aguardados do primeiro dia, não sofrem do mesmo mal e qualquer palco, seja indoor seja open air, parece suficiente para os britânicos arrancarem massivos sing alongs que se unem com a voz de Sam Carter logo ao primeiro tema, ou não estivéssemos nós a falar de um dos maiores fenómenos do metalcore/post-hardcore dos últimos anos. Irrepreensíveis em palco, os rapazes de Brighton, que passarem recentemente pelo nosso país, focaram-se na apresentação do seu último registo ‘Lost Forever // Lost Together’ e cumpriram de forma clara as expectativas. Temos pena que tenham sido apenas 45 minutos.

    Os lendários Megadeth, cabeças-de-cartaz do primeiro dia, tiveram de puxaram dos galões para agarrarem a plateia e foi mesmo preciso um alinhamento recheado de clássicos como ‘Symphony Of Destruction’, ‘Peace Sells’, ‘Tornado Of Souls’ e ‘Skin O’ My Teeth’, que marcaram a carreira da banda de Dave Mustaine, para manter as coisas interessantes ao longo da quase hora e meia de concerto.

    Já na recta final do primeiro dia, ainda houve espaço para os High on Fire e os Kreator deixarem a sua marca com duas actuações singulares. Se por um lado os primeiros honraram o stoner e nos permitiram estar perante um dos membros fundadores dos influentes Sleep, os segundos presentearam-nos com uma demolidora lição de thrash metal que deixou corpos doridos.


    Agradecimentos:
    Resurrection Fest
    ONP

    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.
  • Crónica NPS: Dia 3 | 'Emotivos The National marcam último dia do NOS Primavera…

    Giu 9 2014, 21:39

    Quinta 5 Jun – NOS Primavera Sound 2014



    Crónica Rock n' Heavy

    Ao terceiro e último dia o comunicado de imprensa confirma a multinacionalidade do NOS Primavera Sound com um público proveniente de 40 países diferentes e uma assistência superior a 70.000 pessoas ao longo dos três dias de festival.
    Numa despedida marcada pelos enormes The National e pela presença dos aguardados Neutral Milk Hotel, destacamos também a passagem dos Slint e Ty Segall pelo palco ATP, bem como a actuação de uns enérgicos Cloud Nothings já de madrugada.

    Após Lee Ranaldo and the Dust, acompanhado pelos seus The Dust, mostrar os seus conhecidos dotes de guitarrista e ter deixado a pairar no ar uma lembrança muito ténue dos seus tempos áureos de outrora com os Sonic Youth, os Neutral Milk Hotel foram a primeira banda a cativar de forma geral o público do último dia do NPS.
    Regressados recentemente à actividade após um longo período de hiatus, a banda encabeçada por Jeff Mangum não se deixou fotografar e o apelo para que a plateia guardasse os telemóveis e as câmaras foi prontamente feito pelo mesmo antes de, acompanhado, numa primeira fase, só da sua guitarra, dar início a um concerto que revisitou o conceituado ‘In The Aeroplane Over The Sea’ e que, desse modo, encheu as medidas dos fãs do projecto americano e dos amantes do folk.
    Mas a noite estava reservada para os senhores The National e acabou por ser mesmo da banda de Ohio. A ligação especial que mantêm com o nosso país é conhecida e foi transmitida na cumplicidade com que, de forma irrepreensível e notória, se apresentaram perante um mar de gente pronto a experienciar, de forma profunda, a emotividade e melancolismo que os compõe.
    Por entre a presença do eloquente e carismático Matt Berninger, de uma breve participação de Annie Clark, aka St. Vincent que também pisou o palco ao lado no mesmo dia, e de esperados temas como ‘Bloodbuz Ohio’ e ‘Fake Empire’, sem esquecer as visitas ao recente ‘Trouble Will Find Me’, os The National conquistaram facilmente o seu lugar no top dos melhores concertos da terceira edição do NOS Primavera Sound.
    As investidas habituais de Berninger pela plateia, em ‘Mr. November’ e ‘Terrible Love’, e uma versão acústica de ‘Vanderlyle Crybaby Geeks’ puseram termo à ilustre prestação de um dos nomes maiores do circuito indie.
    No final restou apenas um coração cheio e a vontade de mais.

    No palco ATP, os Slint e os Ty Segall também particularizaram de forma positiva e surpreendente as suas passagens pelo festival, para a satisfação daqueles que por curiosidade ou aborrecimento do que acontecia à mesma hora nos outros palcos lá foram parar.

    Para nós, o festival terminaria da melhor forma com o rock impetuoso dos Cloud Nothings, no palco Pitchfork, assente no novo álbum ‘Here And Nowhere Else’, mas já com a saudade a fazer-se sentir a festa prolongou-se para os mais resistentes até aos primeiros raios de sol.
    Para o ano há mais!

    Agradecimentos:
    NOS Primavera Sound

    Crónica Rock n' Heavy
  • Crónica NPS: Dia 2 | 'Post-rock e shoegaze em destaque ao segundo dia do NOS…

    Giu 8 2014, 21:36

    Quinta 5 Jun – NOS Primavera Sound 2014



    Crónica Rock n' Heavy

    Consenso reunido, o segundo dia do NOS Primavera Sound era o mais aguardado e prometedor devido à versatilidade dos nomes sonantes espalhados pelos seus quatro palcos. Por entre uns Pixies meramente cumpridores e umas Warpaint ‘sem sal’, o shoegaze dos Slowdive e o post-rock dos Godspeed You! Black Emperor e Mogwai sobressaiu.

    As previsões climatéricas não eram, novamente, as melhores e depois de uma manhã tempestuosa a chuva parecia ser um cenário mais que certo. Os impermeáveis distribuídos em larga escala pela organização pintaram o Parque da cidade de branco e para contentamento geral das cerca de 25 mil pessoas que por lá passaram a chuva acabou por não dar grandes sinais de vida.

    Com as sobreposições de concertos a serem uma certeza e as devidas opções feitas fomos premiados à chegada do palco Super Bock pelo folk rock dos Midlake e as respectivas composições do seu último registo ‘Antiphon’.
    Não conseguimos deixar de pensar nos rapazes do Texas como uma espécie de uns Fleet Foxes mais abrangentes a brindaram a plateia com uma agradável actuação que assentou bem com o final de tarde. Pena que as Wairpaint, que se seguiram no palco NOS, não tenham sabido dar dar continuidade a tal momento.
    As quatro raparigas norte-americanas são capazes de criar em estúdio belas peças sonhadoras do dream pop que as caracteriza, o recente álbum homónimo é prova disso, mas infelizmente não conseguem transcrever a fórmula para cima do palco. Falta condimento e consistência nas suas apresentações ao vivo.

    Renascidos das cinzas, os Slowdive provaram ao quinto concerto desde 1994(!), se os seus três álbuns de estúdio deixavam dúvidas, o porquê de serem icónicos e uma das referências máximas dentro do shoegaze.
    Os anos passaram e o talento e qualidade continuam lá, sem grandes virtuosismos, a demonstrar que a boa música sobrevive no tempo.
    No mesmo seguimento, os orquestrais Godspeed You! Black Emperor assinalaram uma notável passagem pelo palco ATP, que deliciou os amantes do post-rock mais noise e experimental.
    Houve respeito no NOS Primavera Sound e o concerto e silêncio foram respeitados pela plateia (é simplesmente estúpido passar concertos inteiros a colocar a conversa em dia), sendo unicamente interrompido pelo ecoar de uns Pixies distantes, que à mesma hora apresentavam no palco NOS, sem grandes devaneios, os temas clássicos sobre os quais construíram a sua carreira.
    Considerados um dos pais do post-rock, os canadianos gravaram o seu nome na história do festival com um final portentoso composto por ‘Moya’ e ‘Behemoth’.

    Igualmente sublime foi a actuação dos Mogwai, que ao longo de cerca de uma hora e vinte minutos de concerto deixaram bem claro que o post-rock não está morto, mostrando ainda como se pode inovar dentro de um estilo dito por muitos ‘saturado’.
    Com o cenário condizente e inspirado na capa do novo álbum ‘Rave Tapes’, os escoceses deixaram as projeções de vídeo, que lhes conhecemos das anteriores passagens por Portugal, em casa e apostaram num interessante jogo de luz e cor que acrescentou brilho a uma apresentação digna dos cabeças-de-cartaz que eram.
    Da vertente mais tradicional de ‘I’m Jim Morrison, I’m Dead’ até ao lado electrónico de temas como ‘Master Card’ e ‘Mexican Grand Prix’, os Mogwai assinalaram um dos melhores concertos da terceira edição do NPS que culminou num final arrebatador com a incrível dupla ‘Mogwai Fear Satan’ e ‘Batcat’.

    A dar continuidade à também positiva prestação (dito por quem a presenciou) dos Darkside de Nicolas Jaar, a electrónica continuou noite dentro no palco Pitchfork ao som de Todd Terje e Bicep.

    Agradecimentos: NOS Primavera Sound

    Crónica Rock n' Heavy
  • Crónica NPS: Dia 1 | 'Kendrick Lamar salva primeiro dia do NOS Primavera Sound' -…

    Giu 8 2014, 15:34

    Quinta 5 Jun – NOS Primavera Sound 2014



    Crónica Rock n' Heavy

    Há três anos atrás instalou-se no Parque da Cidade e hoje já não conseguimos imaginar a cidade do Porto sem ele. A terceira edição do agora NOS Primavera Sound arrancou a ‘meio-gás’, concertos em número inferior aos restantes dias e distribuídos apenas pelos dois dos quatro palcos do recinto, mas foram cerca de 22 mil pessoas que passaram pelo pulmão verde da invicta ao longo do primeiro dia, para assistir às actuações dos ‘pratos-fortes’ - Caetano Veloso e Kendrick Lamar.

    Contrariando as previsões chuvosas o sol fez-se sentir e os sorrisos andavam estampados nas faces da gente bonita que ia chegando calmamente ao recinto. A relva estava verde e convidativa e a Primavera fazia-se sentir em todo o seu esplendor, tal como a boa disposição que imperava num público de diversas nacionalidades.
    Tirando partido do bom tempo e ambiente a conversa era posta em dia enquanto os primeiros concertos aconteciam em pano de fundo e com pouca receptividade da maioria dos presentes, que assistiam aos mesmos sentados ou aproveitavam para vaguear pelo recinto.

    De facto, as coisas só começariam a aquecer quando a norte-americana Sky Ferreira, para contentamento dos fãs que se faziam ouvir nas primeiras filas, subiu ao palco.
    A vertente junkie à Courtney Love que lhe conhecemos ficou, q.b., de parte e a cantora de 21 anos, de descendência portuguesa e brasileira, apresentou-se afável, com as suas agradáveis (dentro dos possíveis) composições pop a ganharem algum destaque.

    Com particular cuidado na cenografia e numa espécie de enquadramento teatral, a delicadeza do músico brasileiro Caetano Veloso foi contrastante e resultou num concerto ternurento que satisfez os apreciadores de funk e samba mas que, fora raras excepções, não convenceu a restante plateia.

    Por outro lado, as manas HAIM, que têm mais de rock ao vivo do que propriamente o pop do álbum de estreia ‘Days Are Gone’ (e ainda bem!), surpreenderam e convenceram. Este, Alana e Danielle trouxeram com elas a atitude rock n’ roll, o calor da Califórnia e acrescentaram mais beleza e encanto ao primeiro dia do NOS Primavera Sound.
    A garra e energia das americanas marcou de forma bastante positiva a sua estreia por Portugal. As explosões de timbalões ecoaram pelo recinto e foram um bom presságio do que se seguiu, pois ainda faltava aquele concerto que nos deixa boquiabertos e faz o dia valer a pena.

    Chegou então Kendrick Lamar, nome mais aguardado, para se afirmar como senhor da noite e salvar o primeiro dia de uma maior apatia.
    O hip-hop do rapper americano rapidamente contagiou a encosta e ninguém ficou indiferente à performance daquele que dizem ter ressuscitado o género.
    Considerado por muitos um herdeiro legítimo de Tupac Shakur, Kendrick apresentou-se de forma humilde, sem o opulência da joalharia que habitualmente vemos associada ao estilo, e aos primeiros minutos já tinha conquistado uma plateia que erguia bem alto os braços para receber de forma calorosa o autor do belíssimo registo ‘Good Kid, M.A.A.D. City’.
    Temas como ‘Poetic Justice’, ‘Swimming Pools’ e ‘Bitch, Don’t Kill My Vibe’ provaram o valor e justificaram o reconhecimento da nova estrela do hip-hop, numa notável actuação e estreia em solo nacional que pecou unicamente pela curta duração.

    A encerrar o primeiro dia e já sob alguma chuva, dançou-se ao som do psicadelismo experimental dos australianos Jagwar Ma, que contaram com a participação de Stella Mozgawa, das Wairpaint na drum machine e na interpretação de temas que compõem ‘Howlin’.

    Agradecimentos: NOS Primavera Sound

    Crónica Rock n' Heavy
  • Review - More Than A Thousand, Bury Tomorrow e Cosmogon - Hard Club, Porto -…

    Mar 3 2014, 18:55

    Sábado 1 Mar – More Than A Thousand



    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui!

    Com mais de 10 anos de carreira, 9 registos editados e uma base de fãs em crescimento notável, entre várias tours bem sucedidas, os More Than a Thousand são, indiscutivelmente, um fenômeno e caso de sucesso na música nacional. Foi com o novíssimo álbum ‘Vol 5: Lost At Home’ na bagagem que o colectivo setubalense rumou uma vez mais até ao Porto e assinalou uma noite memorável na sua carreira.

    Costuma-se dizer que ‘em equipa que ganha não se mexe’. Os More Than A Thousand aplicam-no ao seu género musical e ao terceiro longa-duração não mexem na fórmula do precedente ‘Vol 4: Make Friends And Enemies’. De facto, ‘Lost At Home’ é mais um registo de identidade vincada dos rapazes de Setúbal onde a combinação do peso e da melodia caracteristicamente ‘catchy’ dos refrões nos prendem precocemente.
    ‘Fight Your Demons’ é testemunho disso mesmo e foi com o single de avanço do novo álbum que deram início à actuação, colocando prontamente a plateia que preenchia a sala 1 do Hard Club em alvoroço. Ao segundo tema, ‘I Am The Anchor’, a entrega e devoção dos presentes estava mais que patente no conhecimento lírico das recentes composições, entoadas em massivos e admiráveis ‘sing alongs’.
    ‘It’s Alive (How I Made A Monster)’ estabeleceu o primeiro contacto com ‘Make Friends And Enemies’, trabalho que, contrariamente ao esperado, viria a figurar em maioria na setlist apresentada.
    Apesar da distância entre público e banda criada pelo ‘fosso’ da sala 1, longe da comunhão e intensidade de outros concertos na invicta como Porto-Rio, Plano B e até mais recentemente, sala 2 do Hard Club, a empatia e ambiente habituais não falharam enquanto em palco a explosividade dos More Than A Thousand, agora com Mike Ghost (ex-Men Eater) no baixo, se manifestava ao longo de temas como ‘We Wrote This Song About You’, que teve o contributo vocal de Eddie dos Hills Have Eyes, ‘Feed The Caskets’, que originou um ‘wall of death’, ‘Heist’ e ‘Nothing But Mistakes’.
    No momento mais calmo e intimista da noite, Vasco Ramos, acompanhado da guitarra, ficou sozinho em palco para interpretar ‘Midnight Calls’ e ‘In Loving Memory’, do velhinho ‘Trailers Are Always More Exciting Than Movies’, antes dos seus companheiros regressarem para a aguardada ‘Roadsick’ e para um final apoteótico composto por ‘Make Friends And Enemies’ e ‘No Bad Blood’.
    Seguramente um dos melhores concertos dos More Than A Thousand na invicta e o qual os mesmos fizeram questão de imortalizar numa foto com os presentes em pano de fundo.

    A abrir, os luxemburgueses Cosmogon, que aproveitaram a oportunidade para apresentar o death metal do vindouro EP ‘Chaos Magnum’, mostraram-se competentes, sem qualquer tipo de deslumbramento no entanto, ficando muito longe da prestação avassaladora dos aguardados Bury Tomorrow.

    A banda de Daniel Winter-Bates e companhia, autores de ‘The Union Of Crowns’ (um dos melhores registos metalcore de 2012 e que lhes valeu o contrato com a conceituada Nuclear Blast) cumpriu de forma exímia as expectativas criadas pelos muitos que ansiavam por aquele momento, consentindo assim uma positiva estreia na cidade do Porto.
    ‘Lionheart’ e ‘An Honourable Reign’ mostraram desde cedo a energia inesgotável e incrível presença em palco dos britânicos que levantaram ainda a ponta do véu ao próximo registo ‘Runes’ com dois novos temas intitulados ‘Watcher’ e ‘Man On Fire’.
    ‘You And I’ figurou na visita ao primeiro álbum ‘Portraits’ e por entre agradecimentos pela calorosa recepção e parabéns cantados ao guitarrista aniversariante Janson Cameron, ‘Knight Life’ e ‘Royal Blood’ perfizeram o restante set.
    Ficamos a aguardar o novo trabalho e uma futura visita a solo nacional. Da próxima vez, esperançosamente, como headliners.

    Agradecimentos:
    More Than A Thousand

    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui!
  • Review - Alcest, Hexvessel e The Fauns - Hard Club, Porto - 04/02/2014

    Feb 8 2014, 17:39

    Terça 4 Fev – Shelter Tour



    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.

    Em noite chuvosa, o regresso dos Alcest a solo nacional, desta feita para apresentar o recentemente editado ‘Shelter’, consumou-se com um balanço positivo, contudo, a actuação dos franceses nunca viria a tomar proporções deslumbrantes. Mas já lá vamos.

    A noite começou à hora marcada, apesar de já tarde para um concerto a dia da semana, com o shoegaze dos The Fauns, que aproveitaram a oportunidade para apresentar o seu segundo registo de estúdio intitulado ‘Lights’.
    Os laivos dream pop dos britânicos, bem como a terna voz de Alison Garner, foram ‘armas’ que tentaram cativar a plateia sem sucesso. Inserido noutro contexto e ambiente acreditamos que a história pudesse ter sido diferente.

    De seguida, os Hexvessel conseguiram inverter essa mesma história graças a sua mistura característica de folk e rock psicadélico.
    Embora seja de mais difícil digestão do que o conhecido projecto paralelo do guitarrista/vocalista Kvohst, Beastmilk, e de algumas composições do colectivo finlandês não resultarem tão bem ao vivo, conquistaram espaço pela peculiaridade, primando ainda por um set geral do seu reportório, com destaque para o recente EP ‘Iron Mash’, que satisfez, certamente, os vários admiradores presentes.

    Por fim, os aguardados Alcest deram inicio ao seu concerto da melhor forma com a dupla utópica e colorida de abertura do novo álbum, ‘Opale’ e ‘Wings’.
    ‘Shelter’, lançado em Janeiro passado, tem divido opiniões e parece marcar definitivamente a ruptura do projecto de Neige com as raízes black metal, ao passo que se afirma cada vez mais nos labirintos oníricos do post-rock/shoegaze, sublinhando, de forma exímia e brilhante.
    Apesar do óptimo começo e de uma bastante satisfatória execução dos temas apresentados, os franceses, que sofreram de uma débil equalização sonora (a bateria demasiado alta foi uma constante ao longo do concerto sobrepondo-se várias vezes aos restantes instrumentos), rapidamente entraram numa espécie de piloto automático que só viria a despertar reacções quando ‘Là Où Naissent Les Couleurs Nouvelles’, do anterior trabalho ‘Les Voyages De L'Âme’, foi interpretada, fazendo sobressair a boa qualidade vocal de Neige, quer no registo gutural como clean.
    ‘Voix Sereines’ e ‘Shelter’ mostraram a magnificência do novo registo e a capacidade das composições ganharem uma dimensão ainda maior ao vivo, factor que nunca pareceu suficiente pela mecanização com que Neige e companhia se apresentaram em palco.
    A efusividade da plateia só se viria a destacar novamente, e mais à frente, em temas clássicos como ‘Autre Temps’, ‘Percées De Lumière’ e ‘Souvenirs d'un Autre Monde’.
    Tal como termina o novo álbum, ‘Délivrance’, já no encore, deu por terminada uma actuação competente e que satisfez, mas que, infelizmente e de um modo geral, não deslumbrou.

    Agradecimentos:
    SWR

    Reportagem Rock n' Heavy - Fotos aqui.