Depois de o despertador ter tocado as 6:45 mas eu só me ter levantado as 7 (nem a excitação do RiR me consegue tirar facilmente da cama xD), de um pequeno-almoço despachado e um banho rápido, lá vesti a minha t-shirt dos Muse com a capa do Absolution (muito bem estampada, ao contrário de muitas t-shirts que vi por lá) segui para a estação de Campanhã onde me encontrei com parte do grupo magnífico com quem partilhei este maravilhoso dia :)
Após uma viagem de mais de 3 horas de comboio (cadê o TGV? xD) passada com muito sono à mistura, mas também passada alegremente com jogos de memória ou... Stop musical, adequado ao dia! xD (com vitória clara do jogador mais forte, diga-se!), satisfizemos as nossas necessidades alimentares no Vasco da Gama. Olhando para o relógio, eram ainda 14h, e as portas do recinto abriam só as 16h... O que vamos fazer agora? Era a pergunta dominante! Pois bem, vamos andar de teleférico!
Guiados por um membro muito simpático da cidade dos mouros (aka Lisboa) que se juntou ao nosso grupo, apanhámos o metro em direcção ao Parque da Bela Vista, e foi até com alguma admiração que reparámos que lá eles não têm grandes possibilidades de fazer o que muita gente faz cá - entrar no metro sem pagar e esperar que não venham picas! Ora, para os menos informados, isto acontece porque eles têm barreiras à entrada e à saída de cada paragem, que só podem ser transpostas após a validação e "desvalidação" (como me explicou o caro colega lisboeta) do respectivo "Viva a viagem" [nome lindo, nao é? xDDD]). Anyway, nalguma coisa eles teriam de ser inteligentes! xD
Eram 16h e estávamos nós na fila para entrar. Vestidos a rigor, muitos fãs de Muse e de Xutos & Pontapés (é verdade!! :O) acompanhavam-nos... E camisolas de Snow Patrol, não? "Ninguém quer ver Snow Patrol", diz o meu amigo L, acrescentando rapidamente "Estou só a brincar contigo ! xD" antes que eu começasse a defender a banda de Gary Lightbody. Mais à frente na fila, o mesmo L vira-se para mim e diz "é impressão minha ou não estás com assim tanta pica?" Algo que eu confirmei, deitando a acha para a fogueira - "Estava mesmo ansioso por ver Sum 41, andava viciadíssimo neles. Assim não vai ser tão fixe". Mais tarde reparei que estava enganado... e ainda bem! Passado uns minutos, finalmente alguém com uma camisola dos Snow Patrol! Yeeeah :D
Quando finalmente íamos entrar para o recinto, reparámos na eficiência (NOT !) do processo de entrada o no Rock in Rio... "Homens para um lado, senhoras para o outro, separem-se por favor!"... passado um bocado "Ah, agora é tudo junto, já estamos fartos de ver tralha". Amazing xD Depois de nos termos reunido com os restantes membros do nosso excelente grupo, e passada uma santa horinha à espera de recebermos o brinde de um vodafone (um puff), passada com um bom rol de secas ("puff? Spuft!"), eram 18:45, um quarto de hora faltava para ver os Sum.. Fonzie! xD Decidimos então que era hora de acalentar novamente o estômago (sande com uma fatia de carne e cola a 6,5 €? hmmm, aconselho uma maior discrição na hora do chulanço!), e sentados nos nossos belos puffs (que viriam a dar uma grande trabalheira a esvaziar) começámos a ver os Fonzie.
Apesar de ainda me estar na altura entalado na garganta o cancelamento dos Sum 41, gosto bastante dos Fonzie, sendo que conhecia um bom número de 8-10 musicas deles e já os tinha visto o ano passado no Marés Vivas. O concerto começou animado, com Crashin' Down e Shout It Out a animar o público que ainda assim se ia concentrando aos poucos junto do palco... enfatizo que os Fonzie fizeram questão de homenagiar os Sum 41 e de dar o litro em palco para os substituir :) passado um pouco, contudo, tinha eu acabado há pouquissimo tempo a minha baratissima (!?) sandoca de carne, e algo de impensável acontece... os Fonzie preparam-se para o encore?! Já? 30 minutos de concerto? Bem, para isso ainda bem que os Sum 41 nao vieram, com tão pouco tempo ia ficar a lamentar a quantidade de músicas que queria ouvir e eles não tocariam ;) No encore sem dúvida o momento alto do concerto, com A tua imagem a fazer-me levantar do puff e partir para um mini-mosh com o meu caro colega Ozy. Um concerto curtissimo mas bom dos Fonzie, que ajudou com certeza muito boa gente a alimentar-se de forma saudável.
Após muitos de nós já terem aliviado a bexiga e a minha amiga M me ter brindado com mais algumas boas secas (brilhantemente acompanhada neste papel pela miss A), lá nos chegámos um pouco mais à frente para o momento épico da noite (Really?!) , a entrada dos Xutos & Pontapés em palco - "Qual é a semelhança entre um microondas e o vocalista dos Xutos? 5, 4, 3, 2, 1... TIM!" AHAH xD. Ok, pronto, desculpem.
As minhas expectativas para este concerto não eram nada elevadas, já tinha visto os Xutos por 2 vezes ao vivo na Queima, e mesmo sem desgostar do trabalho deles (não sou esquisito, ao contrário de muita gente 8-) ), não era nem por sombras o momento que eu mais esperava neste dia [que entretanto se transformava em noite com o Sol a pôr-se deliciado com o som dos Xutos!]
Porém, não podia estar mais enganado... Os Xutos começaram com a pica toda lançando êxitos atrás de êxitos (Contentores, À Minha Maneira, Circo De Feras, Não Sou O Único, para delírio da multidão (e do meu grupo também! :D)), servindo de mote para aquilo que viria a ser um grande concerto, mostrando que mesmo após 31 anos de carreira, eles ainda estão aí para as curvas! Excelente atitude no palco da banda, aliado a um grande comportamento do público! A pior parte viria não encore... e o problema não foi musical, porque Para Ti Maria e A Minha Casinha trataram de acabar em beleza um concerto acima das minhas (e nossas) expectativas... O problema foi a camisola vestida pelo 5,4,3,2,1, TIM, que originou a cânticos alusivos a uma equipa que pelos vistos venceu a Liga dos Túneis, e que algumas pessoas associam a "glória", esquecendo-se de qual foi o clube a ganhar 16 dos últimos 25 campeonatos, bem como a Taça Uefa e a Champions em anos consecutivos :D ... Eu preferi cantar a minha cover favorita dessa música, com "fdp" a substituir "glorioso" ahahaha :DD
No interregno após o concerto dos Xutos, começou-se a sentir a adrenalina e o frenesim próprios do aproximar dos grandes momentos da noite :) Tentando aproximar-nos do palco, no entanto, ocorre o primeiro grande contratempo do dia - o nosso grupo perde-se no meio da multidão e parte-se em dois... Não há festival em que isto não me aconteça! -.-' E com a dificuldade (para não dizer impossibilidade) de mandar mensagem ou telefonar em pleno RiR, foi com muita pena mas ao mesmo tempo com o espírito sempre em alta que a parte do grupo se posicionou da melhor forma para poder vibrar com o concerto dos Snow Patrol. Sendo uma banda pela qual nutro um carinho especial há muito tempo (boas memórias de jogar CM 2006 a ouvir a Run! *.*), estava algo ansioso por este concerto, mas com receio que a reacção do público não fosse a melhor.
A entrada foi mágica, com a melodiosa
Open Your Eyes! "Ah, esta eu conheço!", disse o meu amigo L, cujas expectativas para os Snow Patrol estavam muito em baixo... Seguiu-se a ritmada
Take Back the City e um recuo até ao ano de 2003 para um doce pedaço de
Chocolate. Em
Hands Open, uma das minhas preferidas, L e C juntaram-se comigo nos jumps, e na gargalhada atónita perante um momento mais... íntimo entre dois membros da banda! xD
Crack the Shutters manteve a toada de alternar uma rock song com uma balada, mas os momentos mais altos do concerto ainda estavam por chegar... Antes de
You Could Be Happy, Gary pede para serem desligadas todas a luzes do palco e para todos nós o ajudarmos a iluminar, nem que fosse com luzes do telemóvel... "Que cenário lindo, tal como a cidade à noite!" As palavras de Gary dizem tudo, um momento breathtaking :) Constantemente agradecendo ao público português o carinho dado à banda nesta primeira passagem por Portugal, e mostrando-se deliciado com a multidão que os envolvia, Gary não se cansou de interagir com os mais de 60 mil que na altura já preenchiam o parque da Bela Vista, [o á-vontade foi tão grande que, em
The Golden Floor, após uma primeira tentativa falhada de iniciar a música, Gary não se atrapalha minimamente - "Sorry, i fucked up! Take 2 !" "Oops, it's the second time I swear live to the Portuguese TV, i'm sorry!" xD], sendo que em
Shut Your Eyes se viveu outro momento espectacular... Gary pede alternadamente ao lado esquerdo ou direito da plateia para entoar "Shut your eyes and sing to me!", tendo o público correspondido da melhor forma e tornando a criar um momento digno de arrepios! Arrepios esses que chegaram de novo, mais fortes que nunca, naquele que foi para mim (e neste caso sou suspeito), um dos momentos mais altos da noite.
Run é daquelas músicas que figurará para sempre no lote das minhas músicas favoritas, que mexerá sempre comigo e ouvi-la ao vivo, tremendamente bem tocada pelos Snow Patrol foram 6 minutos de ir à Lua e voltar ;) Em
Set the Fire to the Third Bar, coube a Rita RedShoes cantar a parte feminina do dueto com Gary, interpretando bem o tema e cumprindo bem o seu papel...
Just Say Yes, que tem passado com regularidade nas rádios portuguesas, mostrou estar na ponta da língua da maioria dos espectadores, até que o momento por que muitos esperavam chegou -
Chasing Cars, a música mais tocada da década no Reino Unido, foi tocada de forma exemplar e com a companhia do coro de mais de 60 mil pessoas :)
You're All I Have fechou da melhor forma o concerto que durou cerca de 1 hora e meia e mostrou que os Snow Patrol estão aprovados pelo público português e serão bem-vindos mais vezes cá... como diria o L no fim "Sim senhor, os Snow Patrol ganharam o meu respeito depois deste concerto!" Perante isto, estava tudo dito! xD
Sentados no chão do Parque da Bela Vista (os pés já não davam para mais e era hora de poupar energias! xD), eu e o L e a C ponderávamos qual seria a música de abertura do concerto dos Muse, e que eventuais alterações à setlist de passado Novembro no Pavilhão Atlântico (concerto no qual eu e o L estivemos presentes também!) fariam. A nível de abertura fomos unânimes - Uprising parecia ser lógica e indubitável. O tempo ia passando e havíamos já recebido a notícia que os Muse haviam sido a única banda a não permitir a transmissão em directo do concerto na televisão.. Lamentável, no mínimo, é o que eu posso dizer desta decisão da banda de Matt Bellamy... Às 23h43, e faltando 2 minutos para a hora prevista do concerto, virei-me para o meu amigo L e disse "Nenhuma das outras 3 bandas chegou atrasada hoje, mas como os Muse estão armados em vedetas vão chegar, aposto contigo!"
E bem que tive razão... Foi com 10 minutos de atraso que os Muse subiram ao Palco Mundo, e de uma forma muito menos espectacular do que a entrada com toda a polpa e circunstância do Pavilhão Atlântico... contudo, mal eu e o L comentámos isso mesmo, eis que rebenta o fogo de artifício!! E mal tínhamos tido tempo para comentar que tinha valido a pena a espera e já os primeiros acordes soavam... Mas, alto lá... "Isto nao soa à Uprising!" MK Ultra gritámos em uníssono e que belo ponto de partida para o concerto. Agora sim, tinha chegado o ponto alto da noite :) Seguiu-se Map of the Problematique, uma das nossas preferidas, com uma letra espectacular, e com pouco tempo ainda para respirar, agora sim, Uprising, sem dúvida uma das mais aplaudidas, a par da Supermassive Black Hole, precisamente a que se seguiu :) Os Muse tinham entrado com o gás todo e vontade de captar o público logo desde início! Era altura de resfriar um pouco os ânimos e o Matt sentava-se ao piano :) Perante as primeiras notas, tantas possibilidades se formavam nas nossas cabeças!! New Born?! Apocalypse Please ?!?!?!? "Ei, se fosse era tão brutal!", disse-me o L, quando o confrotei com essa possibilidade! Nem uma nem outra, foi sim Neutron Star Collision (Love Is Forever), faixa escolhida para o filme Eclipse, da saga Twilight, e que, apesar de ser uma música agradável e "catchy", insiste em levar os Muse para um campo demasiado comercial que os grandes fãs certamente não acharão muita piada... E ao que é que eles certamente acharão piada? À senhora música que se seguiu, Stockholm Syndrome, uma das minhas músicas preferidas deles, levou-me a mim e ao L à histeria total [hmmm, isso não foi mais à frente no concerto? Ups. Prometi que não havia mais secas. Sorry.] e a um refrão cantado de forma quase comovida. Quem não estava certamente comovido foi um "senhor", e as aspas estão muito bem empregues porque quem reage com um violento e propositado [recorrendo à gíria] biqueiro nas canelas a um simples empurrão involuntário e normalíssimo num concerto de Rock, não merece ser apelidado como tal. Cenas lamentáveis e faltas de civismo aparte, Matt senta-se novamente ao piano e faz novamente girar as possibilidades nas nossas cabeças... United States of Eurasia foi a música escolhida, onde a crítica política é muito bem feita e onde ficam por demais evidentes as influências dos Queen!
Segue-se aquele que foi, para mim, o melhor momento do concerto... Matt apodera-se da sua guitarra de dois braços, e começa levemente a cuidar daquela naquilo que parece o início da Invincible! Não foi a Invincible, mas foi outra das minhas músicas favoritas... Resistance, brilhantemente interpretada, fez-me ficar em estado de goosebumps, e a saltar de forma entusiasmadíssima com o L e a C perante um épico refrão "Love is our resistance"... De novo, a criança de 20 e picos anos que estava perto de mim não deve ter achado piada ao facto de haver pessoas que saibam as letras de mais do que 2-3 músicas por concerto, ou só as que passam na rádio, e... novo biqueiro das canelas! O que se faz com meninos que fazem a sua birrinha? Ignora-se. Educadamente mudei-me para um sítio mais livre de elementos da pré-escolar, ou, como diria o L no fim do concerto, "pessoas que pensam que vieram ver o concerto do André Sardet". Lamentável, é um eufemismo. Mas nada disto me tirou a pica para tudo o que o concerto ainda tinha para dar ! :) Seguiu-se Undisclosed Desires, que não sendo das músicas que particularmente mais gosto, tem provavelmente a melhor letra de sempre dos Muse, e os efeitos visuais nesta música.... Brutais to say the least! Jatos de luz verde acompanharam o público naquele que tem sido um grande hit das rádios portuguesas nos últimos tempos :) Time Is Running Out provocou mais um momento de êxtase total (desta vez sem direito a biqueiros nas minhas pernas, wow, pude saltar à vontade num concerto! xD), esta música que aprecio desde que me a enviaram, se não me engano no longínquo ano de 2004! Starlight é uma das mais queridas entre o público e nem aos mais distraídos passa despercebida a forma melodiosa como esta música ecoa nos nossos ouvidos. Após a Starlight, ouço uma rapariga atrás de mim a dizer "pronto, para mim o concerto já deu o que tinha a dar", o que foi comprovativo daquilo que infelizmente, foi uma realidade ontem - a falta de conhecimento do público presente face à banda e o aparecimento de Muse cada vez mais como uma banda mainstream... :x Para os conhecedores, seguiu-se uma grandiosa Plug In Baby para nos fazer saltar ainda mais alto, apesar de desta vez não ter havido direito a balões, como no Atlântico em Novembro passado...
Os Muse despediam-se mas já (quase) ninguém se acredita nestas coisas e eu e o L já fazíamos contas ao encore... eram bastantes as possibilidades! Corriam boatos que a Bliss seria a escolhida de entre as 5 mais votadas pelo público, mas havia grandes êxitos como a Knights of Cydonia, a New Born ou a Hysteria para serem tocadas, ou ainda músicas do novo álbum como a Unnatural Selection ou a Exogenesis... Tendo em conta que os Muse normalmente tocam 3 músicas no encore, haveriam certamente várias destas a ficar de fora. Momentos depois, Matt, Chris e Dominic regressam ao palco, com uma bandeira de Portugal (nós apreciamos a gentileza, mas já é um clássico.. xD), e eis que surge a grande surpresa da noite... Citizen Erased foi a escolhida pela banda para ser tocada de entre as 5 mais tocadas, e apesar de ser uma fan favourite os fãs portugueses não se mostraram muito por dentro deste tema e eu e o L fomos dos poucos a cantar esta música perante o espanto dos que nos rodeavam...
"A última será a Knights of Cydonia, por isso ou a New Born ou a Hysteria terá de ficar de fora, e apesar de adorar as duas prefiro que toquem a Hysteria" foi o que disse ao L momentos antes do Chris me fazer a vontade e iniciar o riff de baixo mais poderoso que conheço, dando o mote para um grande final de concerto, sendo que à "Istéria" (como ouvi alguém dizer e me fez rir muito) seguiu-se a mítica e sempre fundamental Knights of Cydonia, em que eu, o L e a C saltámos pelas nossas vidas mesmo quando pensávamos já não ter mais forças. Pessoalmente, e apesar de todas as condicionantes, gostei ainda mais deste concerto em relação ao do Pavilhão Atlântico... Pena que mais uma vez tenham faltado músicas do 1º CD, e mais do Absolution, como a Butterflies and Hurricanes... mas neste dia, tudo me pareceu fantástico :)
No final, nada que me fizesse espantar, mas mais uma vez notou-se a belíssima (!?) organização do RIR, que com muitas barreiras à saída na zona junto do palco Mundo permitiu que o escoamento de 83 000 pessoas fosse... um caos xD Nada que estragasse um dia magnífico (chegada a casa pelas 8 da manhã, passadas mais de 24 horas desde a partida!) passado com um grupo de pessoas espectacular, a quem agradeço a companhia e com quem partilhei estes grandes momentos e muitos outros que jamais caberiam aqui, e certamente que este dia ficará na nossa memória por muitos e bons anos ;D
Até mais Rock in Rio... Próxima paragem, Marés Vivas! ^^
Um abraço
Após uma viagem de mais de 3 horas de comboio (cadê o TGV? xD) passada com muito sono à mistura, mas também passada alegremente com jogos de memória ou... Stop musical, adequado ao dia! xD (com vitória clara do jogador mais forte, diga-se!), satisfizemos as nossas necessidades alimentares no Vasco da Gama. Olhando para o relógio, eram ainda 14h, e as portas do recinto abriam só as 16h... O que vamos fazer agora? Era a pergunta dominante! Pois bem, vamos andar de teleférico!
Guiados por um membro muito simpático da cidade dos mouros (aka Lisboa) que se juntou ao nosso grupo, apanhámos o metro em direcção ao Parque da Bela Vista, e foi até com alguma admiração que reparámos que lá eles não têm grandes possibilidades de fazer o que muita gente faz cá - entrar no metro sem pagar e esperar que não venham picas! Ora, para os menos informados, isto acontece porque eles têm barreiras à entrada e à saída de cada paragem, que só podem ser transpostas após a validação e "desvalidação" (como me explicou o caro colega lisboeta) do respectivo "Viva a viagem" [nome lindo, nao é? xDDD]). Anyway, nalguma coisa eles teriam de ser inteligentes! xD
Eram 16h e estávamos nós na fila para entrar. Vestidos a rigor, muitos fãs de Muse e de Xutos & Pontapés (é verdade!! :O) acompanhavam-nos... E camisolas de Snow Patrol, não? "Ninguém quer ver Snow Patrol", diz o meu amigo L, acrescentando rapidamente "Estou só a brincar contigo ! xD" antes que eu começasse a defender a banda de Gary Lightbody. Mais à frente na fila, o mesmo L vira-se para mim e diz "é impressão minha ou não estás com assim tanta pica?" Algo que eu confirmei, deitando a acha para a fogueira - "Estava mesmo ansioso por ver Sum 41, andava viciadíssimo neles. Assim não vai ser tão fixe". Mais tarde reparei que estava enganado... e ainda bem! Passado uns minutos, finalmente alguém com uma camisola dos Snow Patrol! Yeeeah :D
Quando finalmente íamos entrar para o recinto, reparámos na eficiência (NOT !) do processo de entrada o no Rock in Rio... "Homens para um lado, senhoras para o outro, separem-se por favor!"... passado um bocado "Ah, agora é tudo junto, já estamos fartos de ver tralha". Amazing xD Depois de nos termos reunido com os restantes membros do nosso excelente grupo, e passada uma santa horinha à espera de recebermos o brinde de um vodafone (um puff), passada com um bom rol de secas ("puff? Spuft!"), eram 18:45, um quarto de hora faltava para ver os Sum.. Fonzie! xD Decidimos então que era hora de acalentar novamente o estômago (sande com uma fatia de carne e cola a 6,5 €? hmmm, aconselho uma maior discrição na hora do chulanço!), e sentados nos nossos belos puffs (que viriam a dar uma grande trabalheira a esvaziar) começámos a ver os Fonzie.
Apesar de ainda me estar na altura entalado na garganta o cancelamento dos Sum 41, gosto bastante dos Fonzie, sendo que conhecia um bom número de 8-10 musicas deles e já os tinha visto o ano passado no Marés Vivas. O concerto começou animado, com Crashin' Down e Shout It Out a animar o público que ainda assim se ia concentrando aos poucos junto do palco... enfatizo que os Fonzie fizeram questão de homenagiar os Sum 41 e de dar o litro em palco para os substituir :) passado um pouco, contudo, tinha eu acabado há pouquissimo tempo a minha baratissima (!?) sandoca de carne, e algo de impensável acontece... os Fonzie preparam-se para o encore?! Já? 30 minutos de concerto? Bem, para isso ainda bem que os Sum 41 nao vieram, com tão pouco tempo ia ficar a lamentar a quantidade de músicas que queria ouvir e eles não tocariam ;) No encore sem dúvida o momento alto do concerto, com A tua imagem a fazer-me levantar do puff e partir para um mini-mosh com o meu caro colega Ozy. Um concerto curtissimo mas bom dos Fonzie, que ajudou com certeza muito boa gente a alimentar-se de forma saudável.
Após muitos de nós já terem aliviado a bexiga e a minha amiga M me ter brindado com mais algumas boas secas (brilhantemente acompanhada neste papel pela miss A), lá nos chegámos um pouco mais à frente para o momento épico da noite (Really?!) , a entrada dos Xutos & Pontapés em palco - "Qual é a semelhança entre um microondas e o vocalista dos Xutos? 5, 4, 3, 2, 1... TIM!" AHAH xD. Ok, pronto, desculpem.
As minhas expectativas para este concerto não eram nada elevadas, já tinha visto os Xutos por 2 vezes ao vivo na Queima, e mesmo sem desgostar do trabalho deles (não sou esquisito, ao contrário de muita gente 8-) ), não era nem por sombras o momento que eu mais esperava neste dia [que entretanto se transformava em noite com o Sol a pôr-se deliciado com o som dos Xutos!]
Porém, não podia estar mais enganado... Os Xutos começaram com a pica toda lançando êxitos atrás de êxitos (Contentores, À Minha Maneira, Circo De Feras, Não Sou O Único, para delírio da multidão (e do meu grupo também! :D)), servindo de mote para aquilo que viria a ser um grande concerto, mostrando que mesmo após 31 anos de carreira, eles ainda estão aí para as curvas! Excelente atitude no palco da banda, aliado a um grande comportamento do público! A pior parte viria não encore... e o problema não foi musical, porque Para Ti Maria e A Minha Casinha trataram de acabar em beleza um concerto acima das minhas (e nossas) expectativas... O problema foi a camisola vestida pelo 5,4,3,2,1, TIM, que originou a cânticos alusivos a uma equipa que pelos vistos venceu a Liga dos Túneis, e que algumas pessoas associam a "glória", esquecendo-se de qual foi o clube a ganhar 16 dos últimos 25 campeonatos, bem como a Taça Uefa e a Champions em anos consecutivos :D ... Eu preferi cantar a minha cover favorita dessa música, com "fdp" a substituir "glorioso" ahahaha :DD
No interregno após o concerto dos Xutos, começou-se a sentir a adrenalina e o frenesim próprios do aproximar dos grandes momentos da noite :) Tentando aproximar-nos do palco, no entanto, ocorre o primeiro grande contratempo do dia - o nosso grupo perde-se no meio da multidão e parte-se em dois... Não há festival em que isto não me aconteça! -.-' E com a dificuldade (para não dizer impossibilidade) de mandar mensagem ou telefonar em pleno RiR, foi com muita pena mas ao mesmo tempo com o espírito sempre em alta que a parte do grupo se posicionou da melhor forma para poder vibrar com o concerto dos Snow Patrol. Sendo uma banda pela qual nutro um carinho especial há muito tempo (boas memórias de jogar CM 2006 a ouvir a Run! *.*), estava algo ansioso por este concerto, mas com receio que a reacção do público não fosse a melhor.
A entrada foi mágica, com a melodiosa
Sentados no chão do Parque da Bela Vista (os pés já não davam para mais e era hora de poupar energias! xD), eu e o L e a C ponderávamos qual seria a música de abertura do concerto dos Muse, e que eventuais alterações à setlist de passado Novembro no Pavilhão Atlântico (concerto no qual eu e o L estivemos presentes também!) fariam. A nível de abertura fomos unânimes - Uprising parecia ser lógica e indubitável. O tempo ia passando e havíamos já recebido a notícia que os Muse haviam sido a única banda a não permitir a transmissão em directo do concerto na televisão.. Lamentável, no mínimo, é o que eu posso dizer desta decisão da banda de Matt Bellamy... Às 23h43, e faltando 2 minutos para a hora prevista do concerto, virei-me para o meu amigo L e disse "Nenhuma das outras 3 bandas chegou atrasada hoje, mas como os Muse estão armados em vedetas vão chegar, aposto contigo!"
E bem que tive razão... Foi com 10 minutos de atraso que os Muse subiram ao Palco Mundo, e de uma forma muito menos espectacular do que a entrada com toda a polpa e circunstância do Pavilhão Atlântico... contudo, mal eu e o L comentámos isso mesmo, eis que rebenta o fogo de artifício!! E mal tínhamos tido tempo para comentar que tinha valido a pena a espera e já os primeiros acordes soavam... Mas, alto lá... "Isto nao soa à Uprising!" MK Ultra gritámos em uníssono e que belo ponto de partida para o concerto. Agora sim, tinha chegado o ponto alto da noite :) Seguiu-se Map of the Problematique, uma das nossas preferidas, com uma letra espectacular, e com pouco tempo ainda para respirar, agora sim, Uprising, sem dúvida uma das mais aplaudidas, a par da Supermassive Black Hole, precisamente a que se seguiu :) Os Muse tinham entrado com o gás todo e vontade de captar o público logo desde início! Era altura de resfriar um pouco os ânimos e o Matt sentava-se ao piano :) Perante as primeiras notas, tantas possibilidades se formavam nas nossas cabeças!! New Born?! Apocalypse Please ?!?!?!? "Ei, se fosse era tão brutal!", disse-me o L, quando o confrotei com essa possibilidade! Nem uma nem outra, foi sim Neutron Star Collision (Love Is Forever), faixa escolhida para o filme Eclipse, da saga Twilight, e que, apesar de ser uma música agradável e "catchy", insiste em levar os Muse para um campo demasiado comercial que os grandes fãs certamente não acharão muita piada... E ao que é que eles certamente acharão piada? À senhora música que se seguiu, Stockholm Syndrome, uma das minhas músicas preferidas deles, levou-me a mim e ao L à histeria total [hmmm, isso não foi mais à frente no concerto? Ups. Prometi que não havia mais secas. Sorry.] e a um refrão cantado de forma quase comovida. Quem não estava certamente comovido foi um "senhor", e as aspas estão muito bem empregues porque quem reage com um violento e propositado [recorrendo à gíria] biqueiro nas canelas a um simples empurrão involuntário e normalíssimo num concerto de Rock, não merece ser apelidado como tal. Cenas lamentáveis e faltas de civismo aparte, Matt senta-se novamente ao piano e faz novamente girar as possibilidades nas nossas cabeças... United States of Eurasia foi a música escolhida, onde a crítica política é muito bem feita e onde ficam por demais evidentes as influências dos Queen!
Segue-se aquele que foi, para mim, o melhor momento do concerto... Matt apodera-se da sua guitarra de dois braços, e começa levemente a cuidar daquela naquilo que parece o início da Invincible! Não foi a Invincible, mas foi outra das minhas músicas favoritas... Resistance, brilhantemente interpretada, fez-me ficar em estado de goosebumps, e a saltar de forma entusiasmadíssima com o L e a C perante um épico refrão "Love is our resistance"... De novo, a criança de 20 e picos anos que estava perto de mim não deve ter achado piada ao facto de haver pessoas que saibam as letras de mais do que 2-3 músicas por concerto, ou só as que passam na rádio, e... novo biqueiro das canelas! O que se faz com meninos que fazem a sua birrinha? Ignora-se. Educadamente mudei-me para um sítio mais livre de elementos da pré-escolar, ou, como diria o L no fim do concerto, "pessoas que pensam que vieram ver o concerto do André Sardet". Lamentável, é um eufemismo. Mas nada disto me tirou a pica para tudo o que o concerto ainda tinha para dar ! :) Seguiu-se Undisclosed Desires, que não sendo das músicas que particularmente mais gosto, tem provavelmente a melhor letra de sempre dos Muse, e os efeitos visuais nesta música.... Brutais to say the least! Jatos de luz verde acompanharam o público naquele que tem sido um grande hit das rádios portuguesas nos últimos tempos :) Time Is Running Out provocou mais um momento de êxtase total (desta vez sem direito a biqueiros nas minhas pernas, wow, pude saltar à vontade num concerto! xD), esta música que aprecio desde que me a enviaram, se não me engano no longínquo ano de 2004! Starlight é uma das mais queridas entre o público e nem aos mais distraídos passa despercebida a forma melodiosa como esta música ecoa nos nossos ouvidos. Após a Starlight, ouço uma rapariga atrás de mim a dizer "pronto, para mim o concerto já deu o que tinha a dar", o que foi comprovativo daquilo que infelizmente, foi uma realidade ontem - a falta de conhecimento do público presente face à banda e o aparecimento de Muse cada vez mais como uma banda mainstream... :x Para os conhecedores, seguiu-se uma grandiosa Plug In Baby para nos fazer saltar ainda mais alto, apesar de desta vez não ter havido direito a balões, como no Atlântico em Novembro passado...
Os Muse despediam-se mas já (quase) ninguém se acredita nestas coisas e eu e o L já fazíamos contas ao encore... eram bastantes as possibilidades! Corriam boatos que a Bliss seria a escolhida de entre as 5 mais votadas pelo público, mas havia grandes êxitos como a Knights of Cydonia, a New Born ou a Hysteria para serem tocadas, ou ainda músicas do novo álbum como a Unnatural Selection ou a Exogenesis... Tendo em conta que os Muse normalmente tocam 3 músicas no encore, haveriam certamente várias destas a ficar de fora. Momentos depois, Matt, Chris e Dominic regressam ao palco, com uma bandeira de Portugal (nós apreciamos a gentileza, mas já é um clássico.. xD), e eis que surge a grande surpresa da noite... Citizen Erased foi a escolhida pela banda para ser tocada de entre as 5 mais tocadas, e apesar de ser uma fan favourite os fãs portugueses não se mostraram muito por dentro deste tema e eu e o L fomos dos poucos a cantar esta música perante o espanto dos que nos rodeavam...
"A última será a Knights of Cydonia, por isso ou a New Born ou a Hysteria terá de ficar de fora, e apesar de adorar as duas prefiro que toquem a Hysteria" foi o que disse ao L momentos antes do Chris me fazer a vontade e iniciar o riff de baixo mais poderoso que conheço, dando o mote para um grande final de concerto, sendo que à "Istéria" (como ouvi alguém dizer e me fez rir muito) seguiu-se a mítica e sempre fundamental Knights of Cydonia, em que eu, o L e a C saltámos pelas nossas vidas mesmo quando pensávamos já não ter mais forças. Pessoalmente, e apesar de todas as condicionantes, gostei ainda mais deste concerto em relação ao do Pavilhão Atlântico... Pena que mais uma vez tenham faltado músicas do 1º CD, e mais do Absolution, como a Butterflies and Hurricanes... mas neste dia, tudo me pareceu fantástico :)
No final, nada que me fizesse espantar, mas mais uma vez notou-se a belíssima (!?) organização do RIR, que com muitas barreiras à saída na zona junto do palco Mundo permitiu que o escoamento de 83 000 pessoas fosse... um caos xD Nada que estragasse um dia magnífico (chegada a casa pelas 8 da manhã, passadas mais de 24 horas desde a partida!) passado com um grupo de pessoas espectacular, a quem agradeço a companhia e com quem partilhei estes grandes momentos e muitos outros que jamais caberiam aqui, e certamente que este dia ficará na nossa memória por muitos e bons anos ;D
Até mais Rock in Rio... Próxima paragem, Marés Vivas! ^^
Um abraço
Simaop25