Review #3: The Bird And The Bee - Ray Guns Are Not Just The Future (2009)…

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Mag 10 2009, 2:41


Ray Guns Are Not Just The Future - The Bird And The Bee
"Docilmente pop! - Inara e Greg retornam exalando a já tradicional nostalgia!"

Detalhes do Álbum:

Nome/Músico: The Bird and the Bee (Greg Kurstin; Inara George)
Nome/Álbum: Ray Guns Are Not Just the Future
Lançado: 27 de Janeiro de 2009
Gênero: Eletrônico/
Duração: 42:15
Gravadora: Blue Note
Produtores: Greg Kurstin; Inara George

Avaliação Faixa a Faixa:

1. Fanfare / My Love
Greg Kurstin; Inara George

O álbum inicia-se com um breve preparatório de 28 segundos, em que vozes simulam um grito de guerra estudantil ao fundo em meio a robustos batuques de tambores. Logo depois é audível a voz talvez de Inara e seus apoios vocais literalmente aquecendo suas vozes. De repente, palmas são delicadamente batidas e nos transmite a um clima festivo ao qual estamos prestes a conhecer no disco. "Fanfare" representa o papel de animar o ouvinte. Você aguarda ansiosamente até que a próxima música chegue, pois ambas são conectadas pelas sincronizadas palmas. "My Love" começa empolgante, sadia e amável, com a doce voz de Inara nos guiando a versos abundantes em romantismo e inocência, argumentando sobre um narrador que deseja estar nos braços de seu amado e clama por aceitação. Além de muito envolvente, a melodia é agradável e apaixonante. O duo volta explorando a já contínua ambientação dos anos oitenta, reproduzida em um ritmo mais moderno e adorável. Embora pouco apelativo, entretanto ainda artisticamente sensual, este é um dos momentos mais altos e radiofônicos do álbum. Já por aqui é possível notar que a meta primária dele é apenas a diversão.
Nota: 4.0/5.0



2. Diamond Dave
Greg Kurstin; Inara George

Com sutis e brandos efeitos sonoros e uma sensação antiquada de fundo, Inara comenta, sem nenhum pudor, todas as emoções e fetiches que sentia e possuía quando criança ao ver David Lee Roth, o vocalista do grupo rock norte-americano Van Halen. Engraçado o bastante, é um tanto inusitado pensar que uma mulher aparentemente calma e meiga como ela, seja adepta a gêneros tão intensos e agressivos como o próprio Van Halen produzia. Fato é que o pai de Inara, Lowell George, foi um popular roqueiro da banda Little Feat, nos Estados Unidos, porém infelizmente faleceu quando ela tinha somente 5 anos de idade. Referente à música, é interessante como ela possui uma admirável habilidade em transmitir assuntos sensuais e excitantes (tais como quando ela diz que ainda carrega certo "fogo" por ele ou quando comenta sobre as sufocantes emoções que ele provocava nela) de uma forma bastante educada, inocente e formal na grande maioria de suas músicas - incluso, claro, essa. A voz de Inara permanece encantadora e prazerosa aos ouvidos de qualquer tipo de público. Enquanto isso, Greg se responsabiliza por desenvolver brilhantemente as melodias de cada uma.
Nota: 4.0/5.0

3. What's in the Middle
Greg Kurstin; Inara George

Nos carregando a mais uma letra um tanto pessoal e de desdém para com o receptor da história, ela começa com uma contagem em espanhol de 1 a 4 realizada por alguma vocal de apoio, sobreposta por um som de guitarra mais agudo entrelaçado à efeitos de sintetizadores. Esta parece mostrar um narrador um pouco furioso com seu companheiro, apesar de comporta-se pacientemente, adicionando que gostaria de uma cabeça vazia e ficar na cama por um longo tempo. Em determinados instantes do lírico, ele diz que essa segunda pessoa sempre persiste nas mesmas palavras de afeto, no entanto com frieza e insinceridade. Também argumenta que cansou-se de conversar com ele e que gostaria de dar um tempo nas discussões, percebendo que é inevitável torná-lo, ao que tudo indica, menos superficial e mais romântico. É novamente fascinante averiguar como Inara consegue relatar assuntos conflitantes por meio de uma voz tão serena e tranquila. Aqui ela também emite sons vocálicos próximo ao encerramento da música, provavelmente como se estivesse ignorando as palavras dele ou algo de desagrado naquela situação. Realmente, querendo esquecer tudo aquilo e se manter calma. Apesar de interessante, a música é morna, exaustiva e bastante monótona.
Nota: 2.5/5.0



4. Ray Gun
Greg Kurstin; Inara George

Inara, em mais uma representação de sua postura ingenuamente doce, inicia proferindo acerca do título do álbum, ironizando que o futuro não é apenas armas de raio laser. Assim como nessa música e em outras no álbum, a dupla parece transcrever as situações e fatos de um ponto de vista narrativo obsoleto. Uma das claras evidências disso é, entre outros elementos visuais, a exploração lírica e sonora da temática oitentista. Nessa, a narradora se porta como uma mulher de meados dos anos 80, descobrindo que o antes considerado ficção científica, em pouco tempo se tornaria realidade. Adiante a faixa descreve também um eu-lírico desapontado com a maneira como vive sua vida, ambicionando agora, uma vida simples e agradável, omissa de pecados e disputas profissionais ou pessoais. Em suma, a música parece descrever o estilo de vida clássico de um narrador retraído e que pouco faz para contribuir a seu divertimento, implorando a alguém para resgatá-lo daquela vida vazia e trivial, e faça com que ele se deleite das coisas mais simples do mundo. Ou seja, tenha uma vida modesta, porém feliz e vivaz. Sua melodia é graciosa, entretanto, apesar de variações melódicas e incrementos vocálicos, sucumbe mais uma vez em uma talvez proposital monotonia.
Nota: 3.0/5.0

5. Love Letter to Japan
Greg Kurstin; Inara George

Pairando agora à modernidade, eles adentram ao mercado "mainstream" com o primeiro single do álbum. "Love Letter To Japan" nos introduz a um ambiente sonoro bastante divertido e conta um enredo no qual o narrador quer encontrar o seu amado e é capaz inclusive de vir de um local distante à seu encontro, denotando não haver empecilhos e obstáculos ao seu amor. Ela é possivelmente uma das faixas mais diretas e imediatas do álbum, além de dançante e prover ao ouvinte uma deslumbrante jornada musical. Inara se apresenta com a sua já típica voz serenamente acalentadora, alternando em momentos mais intensos e mais brandos. Exatamente na ponte, ela pronuncia algumas palavras em japonês, ilustrando o assunto principal da música. Um coral feminino juvenil aparece logo ao final, cantarolando os fragmentos de desfecho da canção. Em meio a barulhos de sinos, contagiantes sons instrumentais e um clima jovialmente arrebatador, a música é uma das mais consistentes e acessíveis que a dupla produziu nos últimos anos. Como o título já propende, ela retrata supostamente um acontecimento em que uma carta de amor foi enviada por alguém de longe, a seu companheiro. No ponto intermediário da música, o narrador diz que arrumara suas malas e está pronto para destinar-se ao local onde este alguém que ele ama, está. É uma afirmação, mesmo que clichê, de que para o amor não há fronteiras e adversidades que o impeça em se concretizar.
Nota: 5.0/5.0

6. Meteor
Greg Kurstin; Inara George

Prosseguindo e mantendo a sensação rítmica cativante, "Meteor" é dinâmica e inocentemente engraçada. A letra dela expressa sobre uma pessoa que espera impacientemente por seu amor para dançar com ele. Metaforicamente, o meteoro e, ao final, a estrela, mencionados no lírico, que vieram de longe somente para vê-la, seria o dito companheiro e o homem o qual ela aguarda. No primeiro verso ela comenta sobre a excitação que é possível se obter somente dançando, frente a frente e ambos segurando um a mão do outro. As batidas sincronizadas, assemelhando-se a palmas periódicas, e o canto leve e sutil de fundo são definitivamente afáveis e correspondem à qualidade máxima da música. A faixa é bem gostosa de se ouvir: singela e pouco pretensiosa. Além disso, ela parece exercer uma continuidade ao assunto antes proposto na anterior, revelando nesta, que o amor do narrador havia chegado para dançar com ele. Realmente me impressiona a habilidade, mais uma vez, da vocalista em ser capaz de lidar com temas delicados, de uma forma sensualmente formal e ponderada. Acho difícil não se apaixonar pela sua amável voz e sua aparente sensível personalidade.
Nota: 3.5/5.0



7. Baby
Greg Kurstin; Inara George

"Baby" nos traz ao pacifismo tão constantemente proliferado pelo duo. Só é uma pena que a faixa peque mais uma vez na invariabilidade harmônica, sendo por vezes um tanto sonolenta e cansativa. No lírico, o emissor relembra os bons momentos que teve com um outro alguém enquanto ambos estavam na infância e adolescência, tais como quando ele se machucava e o eu-lírico era responsável por levá-lo até sua casa, segundo o narrador, como um bebê, ou quando ele queimou algo e repentinamente veio a chuva, apagando as chamas que ele acabara de iniciar, descrevendo isso como mágico naquele instante, entretanto quando raiou o sol, o fato passara para trágico. No refrão, ele assegura que sempre estará por perto do receptor da mensagem, seja para simplesmente levá-lo pra casa, recordando aqui de sua juventude, ou lhe fazer companhia. O narrador também acrescenta que, na ponte, não importa aonde ele estiver, distante ou próximo, ele sempre estará disposto a cuidar dele ou, literalmente, levá-lo para sua casa. A letra é adorável e consegue efetivamente transmitir a idéia de fragilidade por parte do companheiro dela, ainda que em tese ele deveria ser o ostentador da imagem invulnerável e a figura máscula no contexto, considerando um relacionamento entre uma mulher e ele, um homem. Embora, como de costume, dócil, a faixa é um pouco repetitiva e entediante.
Nota: 2.5/5.0

8. Phil / Polite Dance Song
Greg Kurstin; Inara George

Tambores são entoados no interlúdio transitório de somente 9 segundos, intitulado "Phil". Logo em seguida, os tambores são retomados e submersos à nova melodia propagada de "Polite Dance Song". Esta mesma canção havia anteriormente sido divulgada como single em um dos últimos EPs da dupla, de nome "Please Clap Your Hands", lançado em 2007. Acompanhado no EP, havia um dos covers mais conhecidos e notórios do Bird And The Bee até hoje: How Deep Is Your Love, original do Bee Gees. A música comenta sobre uma mulher que talvez esteja numa festa, e ela deveria, teoricamente, se comportar de forma calma e educada, porém ela não resiste ao ambiente e às músicas e acaba por extravasar, se rendendo ao clima festivo. Este mesmo narrador parece estar acompanhado de seu par que, ao que tudo indica, é também introvertido e recatado. Em determinados momentos da música ela parece pedir desculpas a ele, talvez em virtude de sua exaltação, entretanto ao mesmo tempo ela igualmente solicita suas palmas, em uma tentativa mal sucedida de entrosá-lo. Também insiste com seu companheiro para que ele se junte a ela e ambos se soltem e dancem juntos, argumentando que deseja ver seu lado mais selvagem e desinibido. A faixa trata de um narrador que nega a retração perante uma ambientação pouco propícia para tal, mesmo que contrariando assim, a postura de seu parceiro, enquanto não deixa de ser divertida. O clipe é cômico e satírico. Vale a pena conferir. Ainda que ela se satisfaça dançando sozinha, a última impressão que temos e que a melodia e entonação do vocal transmitem, é a de que ela não está totalmente contente e alegre com aquela situação.
Nota: 4.0/5.0

9. You're a Cad
Greg Kurstin; Inara George

Em "You're a Cad", traduzido para o português "Você é um grosso", Inara interpreta uma garota que é continuamente rejeitada no amor por alguém. Ela relata que aguarda esperançosamente pelo telefonema dele como uma boba, pois, segundo ela, ele não demonstra nenhum interesse profundo na relação. Como se não bastasse, essa outra pessoa que ela ama sempre a trata mal e por vezes a falta com respeito. Dentre os diversos termos pejorativos, ela o descreve como um mal-educado e mal-criado, fazendo uma analogia destes adjetivos com um cachorro e uma pessoa mesquinha, respectivamente. Ela também diz que ele sempre almeja a atenção de todos, possui várias vidas paralelas com outras mulheres e ao final, acaba provendo uma vida artificial com todas elas. Porém, controverso o bastante, ao encerramento do refrão, é expresso um dos meus trechos prediletos do disco: ela diz que deveria ser melhor do que ele, todavia se considera muito pior, exatamente porque, apesar de tudo, ainda o ama. A música segue em um instrumental linear agradável, com coros momentâneos ao fundo, além de alguns efeitos cintilantes, parecendo elaborar um teor infantil à faixa. De fato a relação entre os dois parece ser bastante emocional e instável. Se relevássemos apenas o lírico, certamente essa seria uma das minhas favoritas no álbum. Mesmo parecendo trágica, a faixa é hilária!
Nota: 3.0/5.0



10. Witch
Greg Kurstin; Inara George

Constatamos o lado mais enigmático do Bird And The Bee nesta seguinte faixa, em que o aspecto dançante é deixado passageiramente de lado, e nos ingressamos a um plano um pouco mais melancólico. Porém, claro, sem omitir a simpatia e o envolvimento melódico que eles tanto proporcionam. "Witch" exprime referente a um narrador que necessita do amor de uma segunda pessoa. E para tal, ela recorre a todos os recursos possíveis, desde seu próprio charme e beleza, até bruxarias e mágicas. No entanto, no refrão, ela confessa que tudo é em vão, sem a garantia da paixão por parte dele. Às vezes me parece que o narrador é seriamente doentio e obstinado por ele, não admitindo perdê-lo e querendo, seja a qualquer custo, a sua proximidade. É engraçado como ela tenta transparecer falsamente uma pessoa superior e assombrosa a ele, somente para mantê-lo próximo e ter o seu respeito, porém ela na realidade se mostra frágil, indefesa e submissa aos encantos dele. A música segue por meio de uma melodia obscura assim que é cantado pela segunda vez o refrão, mais precisamente próximo ao encerramento da canção. Distinta a grande maioria no álbum, essa não exibe com freqüência leves sussurros de Inara ou de seus apoios vocais; sua aparição ocorre ao fim, em conjunto ao nebuloso instrumental. Apesar de um pouco dramática, a música é válida e apreciável.
Nota: 3.0/5.0



11. Birthday
Greg Kurstin; Inara George

Retornamos à energia e dinamicidade sonora nesta que é uma das minhas preferidas do álbum. Junto a secas batidas eletrônicas, a faixa explana sobre uma pessoa que conhece tudo sobre outra, incluindo até mesmo suas íntimas particularidades, como o seu aniversário, sua cor preferida e suas mãos. Esta pessoa afirma que conhece com afinco sua personalidade, esclarecendo que sabe de seus limites, seus pontos baixos e altos. No refrão, ela diz para ele contar sempre com ela, pois é ela quem o conhece melhor do que ninguém. Melhor até mesmo que suas outras supostas pretendentes. Portanto, será sempre a sua melhor companhia. Além disso, confirma que ela o ama mais do que as outras e ninguém o valorizaria melhor do que ela. Esta música foi primeiramente lançada em 2008 em um outro EP do duo, de nome "One Too Many Hearts" que, assim como o anterior, era composto por um cover. Desta vez, foi da música Tonight You Belong to Me escrita pelos norte-americanos Billy Rose e Lee David e interpretada por inúmeros artistas. Novamente com um vocal carinhoso e delicado mesclado a uma melodia contagiante, "Birthday" é descaradamente romântica. Representa um dos períodos imprescindíveis do álbum.
Nota: 4.0/5.0

12. Lifespan of a Fly
Greg Kurstin; Inara George

É desapontador que o trabalho termine com tamanho esmorecimento por parte do narrador e da harmonia nesta faixa. Não é o caso dela ser, de forma alguma, extremamente inferior ao material apresentado no decorrer de todo esse trajeto agradável que o projeto forneceu até então, porém decai mais uma vez na sonolência lírica e sonora. Embora bela e reverenciável, a letra é um pouco triste e desanimadora. Conta sobre um narrador que está inevitavelmente se despedindo de sua atual vida, isto é, aparentemente falecendo e deixando para trás seus familiares e todas as suas más e boas memórias. Diz para todos que a amaram e que ela amou, recordarem dela e que mantenham ela viva em suas lembranças. No refrão, ela parece dissertar uma carta de despedida, dizendo que não se arrepende de nada do que fez enquanto viva e que, de maneira, a meu ver, pseudo-satisfatória, viveu tão bem quanto qualquer um. A seguir, em seu conceito, ela pede para que todos se lembrem dela, para que dessa forma, ela prorroga sua expectativa de vida. Isto é, não esteja presente fisicamente, mas sim nas memórias das pessoas. A música como um todo, mesmo a achando em partes frustrante e neutra, é consideravelmente comovente no lírico. Talvez a canção mais depressiva em contraste a tanta descontração.
Nota: 2.5/5.0

Considerações Finais:



Nota do Álbum: 3.5/5.0
Escolhas do Álbum: Love Letter to Japan

Comentário Pessoal:

Revigorando o mercado fonográfico norte-americano, Inara e Greg vieram em ótima hora, ainda que a tendência das massas por lá não esteja totalmente voltada ao estilo musical e postura que ambos apresentam. O duo começou a aparecer timidamente em meados de 2006, com o seu primeiro EP de nome "Again And Again And Again And Again", que detinha um dos primeiros sucessos deles, a música "Again and Again". Porém, a dupla só conseguiu surgir ao grande público com o seu primeiro propriamente álbum homônimo, em 2007. O projeto se iniciou sem maiores pretensões quando Inara e Greg se conheceram e descobriram que compartilhavam interesses musicais em comum. Mais exatamente em 2005, a vocalista havia acabado de lançar seu primeiro álbum solo, chamado "All Rise", com canções mais acústicas e menos eletrônico do que viria a ser seu novo trabalho musical com Greg. Inara se encontrava em um ligeiro anonimato e participara de outros grupos menos expressivos antes de formular o Bird And The Bee, tais como Merrick, juntamente com Bryony Atkinson, e o The Living Sisters, com Eleni Mandell e Becky Stark. Já Greg, é um multi-instrumentista que acumula uma experiência invejável com outros artistas do mundo pop, como Lily Allen, Sophie Ellis-Bextor, Beck, Britney Spears, Kylie Minogue, entre outros. Inclusive, foi ele o responsável pela estrutura instrumental do recem-lançado álbum da Lily, "It's Not Me, It's You", em um método de composição bastante parecido com o entre ele e Inara. Ou seja, ela cuidando da parte lírica e ele da melódica. Bird And The Bee progrediu, após seu primeiro álbum de estúdio, lançando mais outros dois EPs, mencionados acima, para posteriormente divulgar seu segundo álbum, o Ray Guns Are Not Just The Future.

Neste novo álbum a voz de Inara continua doce e esbelta. Realmente é impossível não se apaixonar por tamanha delicadeza sonora. Obviamente, o duo ainda possui algumas complicações para interagir e então, persuadir o público masculino devido ao extremo sentimentalismo elaborado pela união sensível de toda feminilidade de Inara com assuntos relatados através de um ponto de vista inocente e delicado. Mesmo assim, acredito que conseguirão abranger outros gêneros de ouvintes à medida que evoluirão com o tempo. É complicado prever se terão espaço garantido no meio pop no futuro, até mesmo pela conduta que salientam, sendo pouco apelativos e focando unicamente a música. Mesmo que por alguns instantes explorem sim a sexualidade, a fazem respeitosamente e de uma maneira apaixonante e pouco vulgar. Ray Guns Are Not Just The Future representa um avanço e consolidação à dupla. Através dele, afirmam que é possível sim fazer um pop sólido e inteligente, aliado à simplicidade e competência. A idéia central dele, como é visível nas roupas, hábitos e letras cultivadas no álbum e na imagem que publicaram em sua época de divulgação, é tentar relacionar os anos 70, 80 e 90, isto é, o tempo passado, com a modernidade. Eles verdadeiramente agrupam conceitos de uma época juntamente aos atuais de uma forma muitas vezes tragicômica, como em Love Letter to Japan, por exemplo, onde o narrador ainda utiliza de meios como carta para se comunicar com um outro que está distante. Em inúmeros momentos é possível perceber isso que, ao que parece, interessa muito a Inara e Greg. Por isso, a nostalgia é elemento incondicional em cada um dos minutos aqui harmonizados. Também é válido mencionar que adotaram uma imagem bastante colorida por agora, relembrando os anos oitenta.

Apesar de um projeto paralelo, parece que começaram, após os bons e positivos resultados na mídia, encarar com maior seriedade. Inara, embora já não esteja em sua tenra idade, consegue atingir o público jovem feminino norte-americano com significativa facilidade. Ela é linda e possui uma habilidade inigualável para explorar a sensualidade de forma educada como nenhuma outra na música hoje em dia. Bem como Greg também é suficientemente conhecedor da área pop, pois lida com o meio em suas variadas colaborações. Vale a pena ficar de olho neles.

Raul Gonçalves Roque
São Paulo/Brasil

Confira!

The Bird And The Bee - Love Letter to Japan




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