SBSR '11

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Lug 22 2011, 0:29

Thu 14 Jul – Super Bock Super Rock 2011

À semelhança do ano anterior, uma review extensiva do evento que este ano nos trouxe um cartaz de topo e milhares à Lagoa de Albufeira.

1. Localização

Se muitos discutem o local não ser de todo o adequado dada a única estrada de acesso e o pó constante no recinto, a Música no Coração não foi de facto burra em escolhê-lo. Visto de fora (e até de dentro), a costa da margem sul é um local idílico e próximo da capital: no cimo de um monte repleto de árvores, o recinto, na Herdade do Cabeço da Flauta, é circundado por floresta, a escassos metros da Lagoa de Albufeira (uma alternativa bastante viável e muito mais rápida que o Meco, para quem se dedicasse um pouco à exploração), uma lagoa repleta de parques de campismo e famílias a fazerem piqueniques na praia, que tem o seu inicio no Atlântico. Ao longo da costa, para sul, temos a Aldeia do Meco, para onde os autocarros se dirigiam, e, mais longe, o belo e vertiginoso Cabo Espichel, conhecido pelas suas famosas pegadas de dinossauro.
De paisagem, tudo perfeito. Pior é mesmo o local ser cruzado por uma única estrada, a estreita N377, repleta de curvas e no meio do mato. Bem as autoridades e os arrumadores do festival tentavam despachar o trânsito o melhor que podiam (a estrada chegou mesmo a ser cortada para quem não pretendia aceder ao festival, apresentando-se um desvio alternativo), mas a enchente foi incontrolável e voltaram a verificar-se os mesmos problemas do ano passado: filas enormes e concertos perdidos para aqueles que não podiam vir mais cedo, ou que escolheram mal a hora. No entanto, se há alguém na organização que fez um bom trabalho, tiro o chapéu aos arrumadores. Sempre eficientes, rápidos, dia e noite.

2. Dia 0 / Campismo

Se o ano passado pouco mais havia no campismo à hora de abertura que cinco tendas, este ano dei com uma fila enorme de pessoas repletas de bagagens volumosas logo pela manhã. A segurança não estava propriamente apertada: a única coisa com que se preocupavam era o vidro. Provavelmente entraria com uma pistola no bolso, desde que não fosse de vidro. Não que me queixe especialmente, dado que o ano passado o controlo chegava a ser demasiado apertado, gerando filas desnecessárias para tudo. Não tardou muito até que a organização "reparasse" que tinha demasiada gente para o espaço que tinham disponível, e viram-se forçados a abrir novas zonas no campismo, que acabaram por ficar extremamente longe de tudo o resto: da entrada, das casas de banho, dos chuveiros, da alimentação. O cenário ganhou em poucos minutos desde a abertura das portas a aparência de um campo de refugiados. Tudo o que havia presente na zona de campismo era seriamente insuficiente para o número de pessoas que lá estavam. Lavatórios, chuveiros, casas de banho, até um supermercado extremamente ridículo, mais pequeno que a barraca de cachorros da frente, onde aproveitaram para meter tudo a preços exorbitantes, como se a cerveja a 2€ já não fosse suficiente. Naturalmente, com o número reduzido de tudo, haviam filas por todo o lado, a água para lavar as mãos ao lado das casas de banho acabou ainda não era meio-dia, e já as sanitas estavam atulhadas de lixo que muito raramente era limpo.
Mas pronto, são as críticas gerais com que todos temos de concordar, sejamos homens barbudos do campo ou não. Pessoalmente, a mim não me fizeram diferença, já lá tinha estado o ano passado e sabia razoavelmente o que vinha aí, e vim preparado com tudo de casa. As filas foram uma questão de evitar certas horas. Os autocarros foram uma questão de não os usar, que andar a pé pelo campo faz bem. Mas compreendo perfeitamente todas as críticas de quem se sentiu afectado por todos esses pontos.

3. Dia 1

Finalmente, depois do marasmo que é sempre o primeiro dia, vinha aí o primeiro dia do festival. Nota positiva para finalmente deixarem entrar garrafas de água com tampa (pelo menos a minha não foi barrada em nenhum dos dias), o que me deve ter poupado uns 20€ em cerveja. Com toda a gente que este ano trouxe, o recinto que o ano passado parecia belo e expansivo, este ano mais parecia uma lata de conservas cheia de areia, tão difíceis eram as deslocações por mais pequenas que fossem. O recinto ultrapassava completamente a sua lotação máxima por vários milhares, e em cada pequena banquinha, haviam filas e multidões. Sean Riley and the Slowriders abriram o festival, já para uma massa humana considerável, bem educada nas palmas e nos festejos, deram-me a entender que o público, maioritariamente mais jovem, estava ali para a música, o que era já uma melhoria bastante grande desde o ano passado. A música de Sean Riley ecoava pelo recinto, e tinha sido uma escolha perfeita para iniciar o festival. De patilhas bem compridas, os portugueses distribuíam riffs com sabor americano, de folk-rock tão bom para dançar como para ficar sentado no chão a apreciar o final do dia. Afonso Rodrigues demonstrou ser um carismático frontman, visivelmente feliz com a reacção do público e que até nos convidou para irmos à caravana dele jogar um dominó. Ainda vi um pouco de The Walkmen ao longe, mas nunca me cativaram muito, nem conheço bem o seu trabalho.

Segui para o palco secundário com a devida antecedência para ter tempo de arranjar uma boa posição antes de começar Tame Impala. E ainda bem que lá estava. Pontuais, os australianos de cabelo comprido e cara de quem está completamente pedrado despejaram uma excelente actuação, no ambiente perfeito e repleto de árvores do palco secundário. Oscilando entre o psicadélico e um rock mais catchy, o som dos Tame Impala encaixa perfeitamente, unia-se com o local, com as pessoas, com as vozes, os ecos, o pôr do sol lá atrás. Uma experiência fantástica e completamente inesperada para mim, que em álbum, nunca os achei nada de especial.

Segui para os The Kooks. Não tinha grande curiosidade em vê-los por já o tinha feito no Alive, quando a música deles me atraía muito mais, e devo constatar que evoluíram. O concerto deste ano foi mais maduro, o som e a actuação muito mais cativantes, e o público (especialmente feminino) começava já a aquecer. Ainda recebemos a Seaside de oferta, balada que me teria feito as delícias há uns tempos (bons velhos tempos a aprender guitarra com essa música). As novas músicas não me agradaram muito, apesar de diferentes do estilo actual não tinham tanta daquela essência de verão do primeiro álbum (e parte do segundo).

Beirut, uma das bandas que gosto mais de ouvir por cá enquanto faço outras coisas, infelizmente foram uma desilusão quando fico uma hora a olhar para eles. Nada a apontar à qualidade dos músicos, que deram uma prestação excelente, nem à música em si, que é uma autêntica viagem étnica pelas estreitas ruas europeias. Zach Condon tem uma excelente voz. No entanto, presa entre Kooks e na ânsia do público por Arctic Monkeys, a banda estava definitivamente deslocada. Talvez brilhassem muito mais no ambiente mais íntimo e recatado do palco secundário.

Finalmente, Arctic Monkeys. A multidão vibrava de antecipação, pela primeira vez no festival, reuniam-se os grupos na frente, esticavam-se os membros, os olhares não deixavam sombra de dúvidas antes da batalha: ia haver pó. E 10 minutos mais cedo que o previsto, levantou-se pó, e mesmo muito pó. Iniciando com uma Library Pictures explosiva, Alex Turner, casaco de roqueiro e cabelos à beatle, via crescer à sua frente provavelmente a maior nuvem de pó do festival enquanto a multidão enlouquecia e o mosh começava na frente. Mas nem por isso foi cortada a energia. Seguiu-se uma setlist de grande qualidade, passado por todos os grandes momentos da banda, entoada de coração por quem ainda não tinha sucumbido à poeira que voava por todo o lado. Encerrou a actuação a 505, já no encore, daquele que foi sem dúvida o concerto que mais me marcou no SBSR.

Queria ainda passar pelo palco electrónico para dar uma olhada a James Murphy às 4, mas as forças, tanto as minhas como as dos amigos, depois de ter estado na frente nos macacos, não eram suficientes e acabei na tenda. Fica para outra altura.

4. Dia 2

Se já no primeiro dia era difícil circular no recinto, no segundo era praticamente impossível. Haviam pessoas em todo o lado, sem um único espaço vazio. Extremamente desconfortável. Noiserv abriu o dia com os seus belos loops e multitude de instrumentos. Apesar de aplaudido pelo público e de uma boa prestação no geral, acompanhada de desenhos em tempo real, não era difícil perceber que estava algo deslocado ali, e que, tal como Beirut, talvez encaixasse melhor na espiritualidade do palco secundário.

Esperava Rodrigo Leão com alguma curiosidade. Apesar de não conhecer bem o seu trabalho, sou um grande apreciador do seu estilo de música, descontraído, e, apesar da "orquestra", relativamente simples. A banda esteve muito bem, bastante descontraídos e a apreciar realmente a música, pior foi quando entrou em cena a vocalista. Apesar de irrepreensível a voz, estava visivelmente mais tensa, e pessoalmente gosto mais das músicas instrumentais. Mas são gostos.

Saí um pouco mais cedo para arranjar lugar para B Fachada. Nunca o tinha visto ao vivo e tinha bastante curiosidade em saber como seria a experiência. Surpreendeu-me bastante. Fachada comunicava na perfeição com o público, sempre com as habituais gotas de gozo e sarcasmo que lhe enchiam também as letras, entoadas por quem por lá o estava a ver. Nunca fui grande apreciador da sua voz...uhm, única? em álbum, mas gostei bastante ao vivo.

Saltando The Gift para ir comer, acabei por também perder para grande pena minha The Legendary Tigerman, que, segundo consta, deu festa, mas foi necessário para furar para Portishead e Arcade Fire antes que a multidão apertasse ainda mais. Provavelmente a maior desilusão que tive no festival foi comigo mesmo, por não conhecer adequadamente Portishead. No entanto, as batidas limpas e fortíssimas, que abalavam o chão, cativaram-me imenso e colocaram toda a plateia em transe. Continuo a achar que mereciam estar depois de Arcade Fire no cartaz, à semelhança de Leftfield no ano passado, que deram um espectáculo excelente, impossível em qualquer outra hora.

E finalmente, os tão esperados Arcade Fire. Apesar de não estar lá principalmente por eles, gosto imenso da sua música, e tenho que confessar que foi um concerto memorável. Novamente uma setlist que passou por todos os momentos da sua carreira, muito aplaudida pelo público. Épica actuação em palco e efeitos visuais, o momento que me venceu por completo foram as palmas do público a preto e branco nos ecrãs gigantes, quando regressavam do encore e começavam os primeiros acordes da Wake Up. Embora não o meu favorito, provavelmente o melhor concerto do festival.

Não tão cansado como no dia anterior, segui para Chromeo, que dominavam o palco secundário e que deram outra das grandes actuações do festival. O seu disco-funk completamente roubado às pistas dos 70s e 80s mostrou-se uma das melhores alternativas após Arcade Fire, e o público incendiava-se na dança efusiva que era cada minuto das músicas do duo canadiano. Muito bom, uma das únicas bandas que desejei que nunca se fossem embora.

Já que passei a noite no paleio depois de Chromeo, ainda deu tempo, ao nascer do sol e sem vontade de dormir, de ir espreitar pela primeira em dois anos, o palco electrónico, depois de um gajo no campismo nos dizer que estava lá a "bater um trance fodido". E lá corremos nós pela poeira antes que o relógio chegasse às 6 da manhã, já se via o sol no horizonte. O "trance fodido" pertencia a Sven Väth, que apesar de me agradar nos primeiros minutos dez minutos, a batida hipnótica que se marcava constante não era definitivamente para mim, e não tardei a regressar à tenda.

4. Dia 3

Depois de umas quantas aventuras pelo terceiro dia (quem estava do lado esquerdo do acampamento, o mais estreito, deve ter ouvido de certeza os gajos que nunca mais se calavam com os megafones, com direito a trepar árvores e tudo), cheguei mais cedo ao recinto de propósito para ir dar uma olhada às actividades todas que por lá haviam, e receber aquelas t-shirts fixes com patrocínios e coiso.
Abriram os X-Wife, dos quais infelizmente só conhecia as mais conhecidas. O público estava visivelmente cansado, e da euforia que os Slowriders encontraram quando abriram com chave de ouro o festival, estavam-na a guardar para Slash e Strokes. Não propriamente memorável.

O marasmo era tanto no palco principal que fui mais cedo para o secundário para ver uma das minhas actuações mais esperadas, a de Paus. E não desiludiram. O som, grande, pesado, épico. Entre um pós-rock distorcido e as baterias siamesas a dirigirem o som com ritmos contagiantes que recordam os primeiros EPs dos Battles, foram sem dúvida uma das minhas actuações preferidas do SBSR, chego até a colocá-los acima da experiência sinestésica que foram os Tame Impala. Espero, e quero, ver mais vezes.

Cheguei ao principal tocava Brandon Flowers as últimas músicas, melhor do que pensava, mas nada de especial. Pena a Mr. Brightside ser a única cover dos Killers que decidiu oferecer-nos.

Conheci Elbow três dias antes do festival. E foi o suficiente para saber que o que vinha aí era muito bom. Pena que a maior parte das pessoas não fizesse ideia. As músicas dos Elbow são calmas mas orquestrais, lindas, grandes, como se fosse no café que bebemos descontraidamente ao final da tarde que conhecemos o amor da nossa vida, e como se esse dia fosse o último. Rock progressivo reminsciente de Genesis bastante contagiante. A simpatia de Guy Garvey não tinha limites, e conseguiu o aparentemente impossível peso de ter um público às suas mãos que não o conhecia de lado nenhum. Espero que voltem em nome próprio.

Para dizer a verdade, só estava na fila da frente em Slash pelo achievement de o ver, para guardar lugar para Strokes e porque tinha esperança que tocasse umas covers de Guns N' Roses. E assim foi. Não gosto, nem gostei das músicas do novo álbum dele, que não mexeram sequer o público do lugar. Rock com solos demasiado genérico e igual a todos os outros, mas foi a tocar a Sweet Child o' Mine e a Paradise City que Slash (e Miles Kennedy, que teve uma excelente prestação) esteve no seu auge, conseguindo finalmente cativar a multidão e ecoando finalmente o coro de músicas velhas conhecidas de toda a gente.

A espera pelos The Strokes foi das mais desconfortáveis que tive durante todo o festival. Preso na segunda fila, a multidão adensava-se tanto que era difícil mexer os braços sequer. A tensão vibrava pelo ar, com cara de que se ia iniciar uns Arctic Monkeys parte II. E o inicio foi novamente explosivo. Não sei como foi lá atrás, mas na frente a multidão saltou como se todas as energias estivessem acumuladas para aquele momento. Não foi propriamente violento, como no penúltimo dia, mas continuou a celebração enquanto os grandes Strokes estavam em palco. Casablancas mais comunicativo que o habitual (apesar de completamente bêbado pelo que parecia), com o seu clássico humor de "vão-se foder, vocês adoram-me", deu uma performance meio cambaleante, meio competente, que passou por todos os hits e mais alguns. Não atingiu a loucura dos Arctic Monkeys ou a grandeza em palco dos Arcade Fire, mas foi um bom concerto, muito ajudado pelo público. Não me importo muito com a falta de encore, embora a saída de palco repentina tenha sido bastante inesperada.




E assim foi esta edição do SBSR. Com sorte para o ano Paredes!

Commenti

  • timetokilltoday

    eu lembro-me dos megafones xD

    Ago 6 2011, 11:17
  • Ionworm

    folgo em saber que já contribuí para a história :')

    Ago 11 2011, 20:56
  • fabio_c_

    já agora o brandon flowers também cantou a read my mind...

    Dic 3 2011, 0:57
Visualizza tutti (3 commenti)
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