Diario

  • Talk About Big Love

    Ott 28 2013, 22:20

    Sat 26 Oct – Popload Festival

    O Popload Festival aconteceu nesse último sábado, dia 26, no HSBC Brasil, em São Paulo. De primeiro momento, pensei que a estrutura do festival ia ficar estranha e a divisão de dois palcos me pareceu algo estranho demais para ser verdade, mas não foi. A organização estava um primor e tudo bem colocado. Como não haviam shows simultâneos, não houve interferência de um palco no outro, um menorzinho localizado logo na entrada, para os nacionais, no Hall do local; e o comum do HSBC mesmo, que recebeu as bandas internacionais.

    YUCK

    Estranho é a palavra chave pra descrever o show do Yuck, com duração de pouco mais de meia hora, o quarteto – que recentemente passou por uma reformulação dos integrantes, com a saída do vocalista Daniel – está fraco e sem sal. O novo moço que tomou conta dos vocais não parece estar muito confortável no palco e soa antipático na maioria das vezes.

    O resto da banda alocada à sua insistência morna e morta também não impressiona. O som não agrada a maioria do público que talvez até estivesse curioso para conhecer a banda ao vivo, como eu, mas não se impressionou pelos acordes que tentam beirar uma banda de shoegaze, mas acabam falhando miseravelmente e param no meio do caminho, soando meio ressonantes, meio crus, meio tudo.

    A única parte boa do show foi consideravelmente quando a moçoila baxista – Mariko Doi - arriscou-se no vocal para cantar “The Wall”, ponto alto do show que arrancou até alguns coros e refrões – talvez por ser uma das músicas mais famosinhas, talvez porque ela realmente cante melhor que o Max Bloom.

    THE XX

    Muita gente esperou anos por esse show e com certeza a empolgação atingiu seu apice nessa noite. Mesmo eles nunca tendo vindo para o Brasil, muita gente já sabia que o primor do The xx por suas apresentações ao vivo sempre foi exacerbado: luzes, atmosfera e presença peculiares. Jamie, Croft e Oliver sabem o que fazem, tanto em disco, quanto ao vivo e prezam por esse lado ao vivo muito bem apurado.

    Croft e Oliver, especialmente, que podiam ser vistos mais facilmente que o Jamie que fica mais atrás, elevado, mas acanhado em suas bases e efeitos, pareciam estar gostando do contagioso público brasileiro, arriscando sorrisos e palavras de afeto para a plateia. O show de São Paulo foi o último da tour do Coexist, segundo álbum da banda, e agora eles vão descansar um pouco antes de voltar para o estúdio e lançar, talvez, mais uma obra prima.

    Apesar do preconceito de que o The xx dá sono, as músicas do trio ao vivo soam melhores do que nunca, desde “Try”, a que abre o show, até “Angels”, a última música, eles não me fizeram despregar o olho de todo o efeito causado pela apresentação. Uma catarse coletiva, sentimentos turbilhantes pela poesia das letras, das harmonias, dos movimentos ensaiados e sombrios de Oliver, da apatia fervorosa de Croft e do dinamismo de Jamie que se virava em mil para dar base à todo o espetáculo.

    Variando entre músicas mais conhecidas, como “VCR” e “Islands” e músicas mais obscuras da carreira, como “Shelter” e “Swept Away”, o trio pareceu conquistar toda a platéia de seu jeito timido e acanhado. Oliver e seus movimentos característicos e Croft na sua leveza pareceram fazer jus à fama blase-de-uma-forma-simpática do duo. O setlist foi perfeito, a atmosfera criada foi incrível, o primor pela técnica sonora e a iluminação fizeram do show deles algo transcendental. The xx ganhou um espaço cativo ainda maior na minha concepção.

    Resenha publicada originalmente no site da Reverbcity
  • Celebrate The Irony!

    Ott 1 2013, 19:58

    Fri 27 Sep – Mr. Jack's Birthday Party 2013

    Finalmente o The Wombats, trio de Liverpool, desembarcou no Brasil nessa Sexta passada para fazer um dos melhores shows do ano na festa da Jack Daniel’s, comemorando aniversário do véio mais fantástico do mundo. Depois de dois discos lançados e se preparando para lançar o terceiro, os rapazes chegaram devagarinho e conquistou o público que estava lá pra ver as performances do baixista, o carisma do baterista – que estava escondido nas sombras do fundo do palco – e a porraloquisse do vocalista.

    Variando entre músicas dos dois discos e bastante animados com a platéia receptiva, o The Wombats não fez feio e acabou caindo no gosto até de quem tava lá de VIP e nem sabia quem era a banda. Ver pessoas mais vividas (lê-se: velhos) dançando ao som de “Moving To New York” e “Our Perfect Disease” foi simplesmente utópico.

    Mesmo no ritmo de festa e com o sentimento de que muita gente não estava ali pelo Wombats e sim pelo whisky, a banda nunca se desanimava e puxava coros e palminhas da platéia a todo momento. O cabelo do vocalista, com um semblante de Robert Smith, era outra atração a parte, além das piruetas do baixista, que parecia convulsionar no palco.

    O final explosivo com “Let’s Dance To Joy Division” foi responsável por acordar todos os coxinhas da casa que já tinham ouvido a música na balada do vizinho. Além disso, uma preocupação excessiva em saber como a platéia estava e em ocupar todos os gaps de silêncio constrangedor deixaram uma boa impressão dos ingleses.

    Em suma, variando entre as músicas dos dois discos, já velhas conhecidas da galera, o Wombats fez um primeiro show na América do Sul bastante interessante e aquela velha ladainha: esperemos que eles voltem o mais breve possível com a turnê do terceiro disco e muito mais tempo para dedicar à gente.

    Resenha publicada originalmente no site da Reverbcity
  • Clap Your Hands If You Love Me

    Ago 6 2013, 23:01

    Sat 3 Aug – EPIC

    Perdoe qualquer falta de imparcialidade, estou falando da minha banda favorita nessas linhas. Dito isto, você sabia que o Black Kids veio pro Brasil? Pois é, a banda do hit “I’m Not Going To Teach Your Boyfriend How To Dance With You” – que bombou em qualquer balada digna pelo Brasil e pelo mundo afora – pisou em terras paulistas no último Sábado, 3 de Agosto, para participar da inauguração do projeto EPIC.

    Infelizmente, poucos fãs da banda puderam conferir a apresentação, tanto pelo motivo da festa ser fechada – e alguns poucos ingressos terem sido disponibilizados – tanto pelo anúncio do show tão em cima da hora – eles anunciaram que vinham pra cá há duas semanas, pra ter idéia. Mas, felizmente, isso não impediu que a banda tivesse uma ótima recepção no Espaço do Bosque nesse último final de semana.

    Sem fazer shows desde 2010, o quinteto de Jacksonville, na Flórida, conseguiu encantar todos os presentes com os hits do Partie Traumatic, álbum de estréia, do já longíquo 2008 – em conversa com a banda, eles prometeram lançar um álbum na Primavera – deles – de 2014, ou seja, estamos pertos de ver como eles vão se sair depois de tanto tempo sem nada novo.

    O show foi curto, uma pequena dose de alegria, mas o suficiente para encabeça-lo à lista de melhores shows da vida – tanto meu quanto dos outros presentes, pelo burburinho pós-show. Os poucos fãs da banda ficaram extasiados com o jogralzinho entre o vocalista Reggie e as duas quase-vedetes Dawn e Ali, que são responsáveis por animar a platéia com palminhas e, também, pelos teclados e sintetizadores.

    A impressão que fica foi ótima, mesmo com o show curto e em uma festa privada, deu para ver que eles gostaram bastante da nossa recepção no caloroso Sábado e mal esperam para voltar para uma turnê de verdade – nas palavras do vocalista até em 2013 mesmo, se possível. Deu até para conferir duas músicas novas, “Wake Up” e “Clocks” que permearam as músicas mais conhecidinhas do público – “Look At Me”, “Hurricane Jane”, entre outras.

    Uma pena que a passagem tenha sido breve – tudo que é bom dura pouco -, mas fiquei feliz pelo show e pela simpatia dos caras. E mesmo depois de quase três anos sem tocar, eles ainda continuam impecáveis e muito profissionais em cima do palco, o que enche de orgulho qualquer fã da boa música. Aguardemos para ver as surpresas que o Black Kids nos reserva para esse ano e para os próximos, bom saber que eles realmente estão de volta, dessa vez.

    Resenha publicada originalmente no site da Reverbcity
  • I Never Thought I'd Fall In Love Again, It's Alright

    Giu 28 2013, 17:49

    Sun 23 Jun – 17° Cultura Inglesa Festival

    O tempo não parecia muito convidativo para quem decidiu sair de casa num Domingo à tarde. A pontualidade britânica – marca do festival – não falhou: o The Magic Numbers e a Kate Nash entraram nos horários programados e fizeram seus shows impecáveis e que compensaram qualquer pessoa que tenha talvez se arrependido de sair de casa naquela friaca.

    THE MAGIC NUMBERS

    Três Adeles no palco, é assim que o Magic Numbers pode ser descrito, mas eles fogem – e bastante – do estilo da cantora britânica. Gordinhos, fofinhos e felizes, o Magic Numbers passa a todo tempo essa imagem e se demonstram muito felizes pelo carinho que o público brasileiro tem, por eles ou por qualquer outra banda.

    Encaixando músicas menos conhecidas, um cover de Caetano Veloso com Jeneci (que foi o desastre da apresentação) e os hits, os britânicos conseguiram segurar bem o público que estava no Memorial da América Latina, que até entoou algumas das mais famosas, como “I See You, You See Me”.

    A recepção do público para com a banda foi boa e o contrário também: o jogral de vozes potentes da parentada é incrível, o alcance vocal de Romeo e Angela é estonteante e arrepia qualquer um que se preste a ouvir atentamente à banda. Um show bastante elogiado para quem não esperava muito da apresentação deles que, convenhamos, estão bem apagadinhos ultimamente. Provavelmente o que tenha salvo a apresentação deles foi o resgate de músicas dos dois primeiros – bons – álbuns e o esquecimento do fiasco que foi The Runaway.

    KATE NASH

    A atração da noite era sem dúvida, a querida Kate Nash. Com uma relação cativa com o público brasileiro – como ela mesmo não cansava de falar e muito entre as músicas e em demonstrar, descendo do palco e fazendo firula – a cantora voltou para o Brasil depois de apresentações muito aclamadas em 2011. Agora a surpresa era que Kate tinha abandonado o jeitinho fofa e o piano e, então, decidiu fazer tudo na guitarra.

    As versões no instrumento das músicas que já conheciamos toda tocada no pianinho ou no synth ficaram diferentes, mas, incríveis! Foundations, Dickhead, Do-Wah-Doo, qualquer uma. A inglesinha sabe muito bem cativar seu público e fez do palco sua casa, chamou gente pra lá, pegou desenho da platéia, fez uma festa, literalmente.

    Felizmente o repertorio se reservou basicamente às músicas boas do último disco, onde Kate abandonou toda fofura, e às músicas conhecidas dos dois primeiros em uma releitura incrível com um barulho ensurdecedor que não estavamos acostumados a ver com ela. Um bom show para um domingo que tinha tudo pra ser entediante como todos os outros, mas que não superou sua animação no de 2011, mais intimista e extrovertido ainda que este.


    Resenha publicada originalmente no site da Reverbcity
  • Drinking Red Wine From A Brandy Glass

    Mag 23 2013, 23:04

    Sat 18 May – The Vaccines

    O show não era novidade, não era pra ser novidade pelo menos – o Vaccines tinha tocado no Brasil há pouco mais de um ano em um Cine Joia lotado. Voltar depois de pouco tempo e com pouca bagagem acumulada nesse meio tempo pareceria um pouco arriscado para uma banda tão pequena – aqui no Brasil e no mundo todo.

    Tirando essa premissa, o Vaccines pareceu fazer algo inédito: mesmo eu que já tinha visto os caras e ficado um pouco decepcionado com o show ano passado, me surpreendi de uma maneira boa: eles são excelentes ao vivo. Músicas curtas, pequenas injeções de euforia e uma maestria sem igual na hora de conduzir um setlist com músicas nunca/raramente tocadas em turnê – como Weirdo e Family Friend – e velhas conhecidas da galera, entoadas em alto e bom tom, como Teenage Icon e Post Break Up Sex e teve espaço pra ouvirmos até música nova, com o Justin, vocalista, no violãozinho.

    O ritmo envolvido nesse processo do Vaccines é intenso, assim como o seu show, dois discos em menos de dois anos, uma promessa de outro em breve, inúmeras músicas bem feitas e criadas para dar inveja à qualquer veterana por aí e uma presença de palco e vontade de tocar que dá gosto de ver. Eles saíram e entraram ovacionados e deu pra ver essa alegria no olhar dos quatro, comovidos com a plateia do Grand Metropole em um sábado não muito convidativo para se estar na República, local da casa de show – estava acontecendo Virada Cultural no mesmo local, praticamente.

    Vaccines cantou e, perdoe-me o cliche, encantou. Um show bom para tirar a má impressão deixada da outra vez e energias e pazes renovadas com a banda, que ainda emendou que nós somos a melhor platéia do mundo – e isso é incrível, não é? Que eles venham uma terceira, uma quarta, infinitas vezes, a gente sempre vai receber eles bem, quer eles queiram ou não e sempre estaremos aqui para reafirmar nosso status de melhor platéia do mundo – quiça do universo.

    Resenha publicada originalmente no site da Reverbcity
  • There’s A Time And Place For One More Sweet Embrace

    Apr 15 2013, 23:07

    Wed 10 Apr – Regina Spektor

    Regina Spektor canta e encanta. Na noite de quarta-feira nada convidativa para um show excelente como o presenciado, Regina Spektor fez bonito no palco do Credicard Hall: subiu, toda tímida, com sua pequena altura e seu vestidinho de vó pra cantar toda estranh-a-seu-modo “It Ain’t No Cover”, só no microfone e com sua voz extraordinária.

    O leve resfriado – pontuado por tosses – não atrapalhou a convivência platéia-artista durante todo o espetáculo. Regina ganhou presente, falou ‘obrigada’ e ficou envergonhada com os milhões de ‘i love you, Regina’ vindos da plateia, toda sentada e que não soltava um pio que não fosse cantoria, gritos e palmas durante todo o espetáculo. Mesmo que tenha saído por breves minutos por falhas técnicas – que foram mais tarde explicadas na página do facebook da cantora como algum problema com o seu técnico que foi ferido – Regina fez um setlist bom e bastante variado.

    Foi um show honesto, assim digamos, sem falhas, executado com perfeição e classe. Regina desliza seus dedos pelo piano como pouca gente consegue fazer e, consegue, ao mesmo tempo, cantar maestrosamente todas as canções mais famosas – como “The Call” da trilha de Narnia e “All The Rowboats” do seu último disco de estúdio – e menos ilustres – como um cover cantado inteiramente em russo e um featuring com o Only Son de “Call Them Brothers”.

    Toda fofa, Regina agradecia seu pública a cada salva de palmas e a cada grito de extase que deixaram a cantora impressionada com o Brasil com promessas de voltar em breve – como todo artista faz – para completar o setlist que foi cortado justamente pelas falhas técnicas – ela acabou deixando de tocar “Samsom” e “Fidelity”, músicas bastante apreciadas na turne da cantora. Fora isso, setlist bem construído, a surpresa agradável de ter “Eet” de volta à turnê e uma impressão muito boa sobre a adorável moça. Pode voltar mais vezes.
  • Hey, Hey, Do I Give You That Naughy Feeling?

    Gen 31 2013, 19:00

    Sun 27 Jan – All for Music #1

    O clima era de festa americana: climinha nublado, um monte de gente bem arrumada, cigarros, ar livre e, pra fechar com chave de ouro, uma mansão num bairro bem localizado de São Paulo. Era a inauguração do coletivo All for Music, que tem ligação com o indie-hipster-cult MECA, festival gaúcho que teve sua terceira edição nesse ano.

    Enquanto as grandes atrações da noite não apareciam, a animação da festa, que mais parecia aqueles barbecues americanos (só faltou a carne), ficava por conta de sets de nomes influentes da música e mídia, como o Lúcio Ribeiro, da Popload e o Zegon do Planet Hemp. O projeto parece ter sido bem sucedido e a festa ficou marcada como algo bacana de ter acontecido logo no começo do ano.

    FRIENDS

    O show foi curto, sim, parecia pocket show, mas foi intenso e bem elaborado. Os agudos e a voz de Samantha são realmente impecáveis e ela tem voz pra mostrar isso. Numa tentativa que possa soar desafinação aos ouvidos menos apurados, ela introdução a banda e o show com uma vocalização incrível de mais de dois minutos até começar a dedilhar as músicas da banda provenientes do seu primeiro disco, Manifest!

    Mesmo o show sendo curto, “I’m His Girl” e “Friend Crush” fizeram a alegria do pessoal, com direito a performances sensuais da vocalista com a platéia e trocas de carinho entre o público e a banda (antes, durante e depois do show). A banda, tendo que sair mais cedo, parecia ávida por voltar o mais rápido possível para cá e isso foi nítido na apresentação calorosa tanto em São Paulo quanto no MECA, além dos tweets e posts posteriores.

    FLIGHT FACILITIES

    Não sei como denominar o duo australiano, mas sob suas fantasias de aviadores moderno e vintage, os rapazes parecem um Justice mais bem elaborado e que comanda as pickups como ninguém. Você não sabe o que é um DJ set até ver um de verdade e o Flight Facilities mostrou que pode não ser considerada uma banda, mas faz muito bem o que faz.

    Intercalando com músicas próprias e algumas outras, que ficaram misturadas no fade, deixando o set totalmente coeso, o Flight Facilities arrancou danças animadas da platéia, suspiros e gritinhos de aprovação. Depois de ter cancelado o show que viria fazer ano passado, eles mostraram que são muito bons no que fazem e toda sua fantasia de aviação é um charme a mais pra performance dos caras.

    Resenha publicada originalmente no site da Reverbcity
  • Oi, Oi, Oi, We Are The Kings Of Leon

    Ott 25 2012, 21:58

    Sat 20 Oct – Planeta Terra Festival 2012

    Chuva. Torrencial. O festival estava realmente zicado esse ano, foi a demora para lançar o line-up, a mudança de local não aprovada por muitos que preferiam os brinquedos para divertir e, também, virar a noite de sábado pra domingo. Kasabian cancelou de última hora e tudo parecia que ia correr por água a baixo junto com a chuva que enlameava o espaço, mas, felizmente, muito pelo contrário, o Planeta Terra soube se virar, criou um espaço legal, com algumas interações e uma área de alimentação bastante diversificada e bem melhor que aquela do Playcenter (só faltaram as mesinhas e os brinquedos mesmo) e palcos bem menos concorridos do que os das edições passadas (talvez pelo espaço do local e pelo line-up que não agradou tanto assim).

    MALLU MAGALHÃES

    Debaixo de uma fina chuva, a cantora, que agora já não é mais aquela guria que cantava “Tchubaruba” e esqueceu esse passado infantilóide pra investir na carreira de musa do pseudo-folk nacional, aparecia pela segunda vez nos palcos do Terra, dessa vez, maior de idade e mais respeitada pela crítica. Mallu chorou no palco, mas se mostrou madura na maior parte do tempo, apesar dos desafinamentos e da tentativa de fazer uma performance a la Amy Winehouse, o show foi bonzinho, mas bem sem sal e nada comparado ao que estava por vir, felizmente.

    LITTLE BOOTS

    Depois de lançar um álbum bem fraquinho, Victoria Hesketh sumiu do mapa e voltou das cinzas no finzinho do ano passado e no começo do ano com suas mixtapes totalmente chatas. Ainda bem que ela não segue essa perspectiva no palco e fez uma apresentação bastante animada para quem estava bem sumida. Mesclando as já conhecidas “Remedy”, “New In Town” e “Stuck On Repeat” com as músicas do segundo disco – que, segundo ela, deve sair o mais breve possível.

    Little Boots abriu com louvor as apresentações gringas dessa edição e a chuva já tava parando e o sol já ia surgindo para dar tons de laranja às próximas e incríveis apresentações do Indie Stage (que foi aonde eu fiquei) e do Main Stage (que parecia estar incrível pelos relatos dos meus amigos, com o Garbage e o Suede quebrando tudo). Depois de dançar um pouco e quase pagar calcinha, Little Boots agradeceu e se retirou, toda feliz...

    THE MACCABEES

    Melhor show, show mais aguardado, show mais surpreendente, dê o nome que quiser, mas o quinteto da terra da rainha fez bonito no palco, cantando seus antigos sucessos, como “First Love” e as mais novas como “Pelican”. O The Maccabees foi a agradável surpresa do festival, com sua competência e a simpatia de Felix White, o guitarrista, tudo ficou bem e a chuva já não era mais nem problema, o sol já ia embora, também e o festival tava só começando.

    A apresentação foi super animada e Orlando e companhia se mostraram bastante receptivos à platéia e deram sorrissinhos e receberam corações das meninas mais encantadas, também, não era pra tanto, o show foi incrível!

    AZEALIA BANKS

    A presepada do festival começou aqui, a hit-girl do momento, que adora brigar por aí e cantar nada com nada estragou um pouco tudo que tinha pra ser bonito. Começando na subida do palco que aconteceu meia hora depois do que era pra acontecer, tudo porque primeiro entrou um DJ que ficou fazendo mash-ups e tudo o mais antes da queridinha entrar e fazer suas palhaçadas em palco.

    Com músicas como “Jumanji”, “1991” e até a clássica “212” que foi cortada antes da hora – não sei porque, já que ela encerrou a apresentação bem antes do esperado – a rapper até que tentou, mas deve ter cativado só quem estava realmente com paciência para ver aquilo e debochar dos fãs começando sua apresentação bem depois, cantando poucas músicas e ir embora bem mais cedo. Fiasco.

    THE DRUMS

    Recuperando o bom gosto, o The Drums entrou no palco em ponto, chamando uma pequena horda de fãs que aguardava o retorno aos palcos brasileiros dos caras. O vocalista, todo cheio dos seus trejeitos, tem uma voz muito melhor ao vivo do que gravada, ainda bem, porque a apresentação foi uma das melhores do festival, com as já populares “Let’s Go Surfing”, “Me And The Moon” e “Money”, eles colocaram muita gente pra pular e dançar, até com as mais calminhos e não preferidas do público levantavam qualquer um.

    “Down By The Water” foi um final épico para o show e eles prometeram que voltam bastante em breve. Eu não conhecia a banda tão a fundo e virei fã e espero ansiosamente pela volta no próximo disco!

    KINGS OF LEON

    As estrelas da noite, certo? Errado! Kings of Leon podia ser headliner, mas a apresentação dos caras foi bem sem sal, mas pelo menos foi melhor que a do SWU (como ouvi os burburinhos por aí nesse pós-festival). Caleb com uma cara de que acabou de sair do alcoolismo (oh wait) e os outros músicos nada simpáticos, todos muito calados e quietões, só fazendo o seu serviço arroz-com-feijão e agradecendo vez ou outra.

    O setlist não mudou muito desde a última apresentação dos caras aqui e não vai mudar enquanto o outro disco, que está em processo de composição, gravação, etc, sair. Pelo menos ele é bem variado, vai desde as clássicas, como “Molly’s Chambers”, até as mais novas, como “Back Down South”, sem deixar de passar pelas coxinhas, claro, que fecharam a noite.

    THE GOSSIP

    Beth Ditto foi a estrela da noite, o show pode não ter sido o melhor, mas essa mulher sabe o que faz em cima do palco. Chame ela de gorda, de chata, de vaca-porque-você-cancelou-tantos-shows-com-a-gente, mas ela é uma simpatia em pessoa. Regada à birita, Beth só sabia falar ‘saúde’, ‘desculpa’ e ‘obrigado’, um milhão de vezes. Eles realmente pareciam ressentidos com os episódios passados, além disso, nada mais engraçado do que ouvir ela entrando no palco e falando que era o Kings of Leon, acompanhada da música tema da novela das oito.

    “Listen Up!”, “Love Long Distance” e “Standing In The Way Of Control” permearam o setlist com bons hits, mash-ups ao vivo (com “We Are The Champions” e “Smeels Like Teen Spirit”) e coisas do novo disco que não foi tão aclamado assim. Mas a impressão que fica é que Beth Ditto é tão louca pela música que faz quanto nós pela música que ouvimos, seja do Gossip ou de qualquer outra banda (até porque ela não parava de elogiar o Garbage e o Drums, né?). Foi um fechamento com chave de ouro para o festival que se consolidou, mais uma vez, no país. Será que rola em 2013?
  • What Can Make Me Feel This Way?

    Ott 25 2012, 18:36

    Mon 22 Oct – Popload Gig 17

    Feist demorou pra vir, mas chegou. Depois de cancelar a apresentação do Tim Festival de 2007 – e reforçar isso durante o show fazendo um pequeno bantering com participação da numerosa platéia que enchia o Cine Joia na noite nublada e quente de segunda-feira – a canadense finalmente veio com a sua trupe pra cá. Um pianista, um baterista, um multi-instrumentista, três backing vocals e, obviamente, a estrela da noite: Leslie Feist, compunham a banda que se espremeu no pequeno espaço em cima do palco da casa.

    A turnê é do disco mais recente, o Metals, e é uma das últimas partes da turnê, para ela correr de volta ao estúdio e gravar mais uma pérola pra gente. Infelizmente, muitas músicas antigas, como “Past In Present” e “1234” acabaram ficando de fora e praticamente o Metals inteiro foi tocado, mas, tudo bem, eu não tava nem ligando pro que saia da boca dela, porque eu tava hipnotizado, que voz é essa?

    As falhas naturais, os trejeitos e o jeito moça levada ao pedir seis caipirinhas para a banda inteira, além da inocência em chamar duas pessoas da platéia para dançar ao som de “Let It Die” – o que acabou virando uma zona em cima do palco, com várias pessoas dançando com ela, com as backings e com o próprio pianista. A festa foi incrível e a canadense parece ter gostado da gente – e das caipirinhas.

    Os pontos altos da noite foram emendados em “I Feel It All”, as tocantes “Let It Die” e “The Circle Married The Line”, além do cover da Nina Simone, “Sealion” e dos Temptations, com “My Girl”. A platéia estava em transe, não cantava, não falava nada (pelo menos a parte que estava lá para realmente vê-la e não ficava com buxixos chatos durante o show, um dos pontos negativos da casa ao misturar os eventos com bar).

    Apesar de tudo, a voz e o violão tiveram um destaque incrível e o show foi sensacional, realmente para ficar na memória e esquecer o que passou e bola pra frente, tomara que ela venha novamente pra cá em breve.

    Resenha publicada originalmente no site da Reverbcity
  • You Could Be Happy And I Hope You Are

    Ott 16 2012, 0:16

    Wed 10 Oct – Snow Patrol, Vanguart

    Credicard Hall numa Quarta-Feira, semana de pré-feriado, longe de tudo, definitivamente não poderia ser um local para um bom show, agora junte à isso ingressos exorbitantemente caros, chuva e uma banda que tinha acabado de passar pelo Brasil em dois anos consecutivos, pois é, não parecia mesmo um local convidativo para se ir aproveitar uma quarta-feira fria à noite. Eu preferia estar na minha cama, mas gosto muito do Snow Patrol e fui conferir o que eles aguardavam pra gente em show solo, mas acabei me decepcionando deveras com o que vi.

    Depois de passar por duas apresentações em festivais, o Natura Nós e o Rock in Rio, o Snow Patrol veio fazer três apresentações da turnê do seu último e não-aclamado álbum, Fallen Empires, em BH, SP e RJ. O álbum já não é lá essas coisas, mas eles sabem escolher as músicas dele que vão tocar e misturar com as antigas do Eyes Open e do A Hundred Million Suns que o pessoal gosta, com “Shut Your Eyes”, “Hands Open” e a famigerada “Open Your Eyes”.

    Gary até que tentou, casou com duas meninas, tentou animar um carinha que parecia entediado e falou obrigado e agradeceu tudo que podia, mas a banda não conseguiu cativar o público escasso que estava lá pra vê-los, olhei pela platéia e contei gente conversando, bebendo e bocejando, mas era difícil ver muitos pulando ou cantando as músicas menos famosas, foi um show feito para aqueles fãs fervorosos que têm tudo da banda e gostam de tudo que ela vai um dia ainda lançar, mas aqueles fãs que gostam de um álbum ou outro e tem um senso crítico mais detalhado para eles não conseguiria, mesmo, gostar do show que beirou o entendiante, infelizmente. Mesmo as músicas mais famosas, como “Chasing Cars”, não conseguiu retirar grandes gritos de felicidade da gente, não nos sentimos muito acolhidos pela banda e não conseguimos, então, retribuir o mesmo afeto, uma pena.