Show do Weezer: sentados e batendo palmas.
Aichi-ken Kinrou Kaikan
Martedì 9 Settembre 2008
Aichi-ken Kinrou KaikanMartedì 9 Settembre 2008
Show do Weezer: sentados e batendo palmas.
por Tatiana Aoki
Sonho de toda fã de Weezer é ouvir o Rivers Cuomo bem nerd, de óculos, cantando Buddy Holly de um jeito tímido enquanto a galera pula feito louca na platéia. Certo?
Bem, seria isso se eu tivesse ido ao primeiro e único show do Weezer no Brasil, em Curitiba. Disseram que foi um dos melhores shows do Weezer, mas o perdi, então fui onde tive a primeira oportunidade: no Japão, em Nagoya (capital de Aichi, a província com maior concentração de brasileiros no Japão).
Peguei o metrô ouvindo o Blue Album só para entrar no clima e, chegando ao local, vejo uma multidão de japas indies devidamente equipados para o show, que iniciaria numa terça, às 19h. Levavam bebidas e alguns petiscos, usavam camisetas criativas do Weezer e apenas os garotos (a grande maioria presente) usavam tênis - as meninas montaram no salto e abusaram da maquiagem.
Após entrar em uma fila devidamente organizada e sem chance de “furões”, a platéia entra no auditório, com cadeiras acolchoadas e marcadas previamente. Mas, antes, uma outra fila. Meio aborrecida, entro logo atrás e eis que, dez minutos depois, percebo o que era a tal fila: apenas dava para a loja de souvenirs, para que todos comprassem camisetas, cds, faixas, entre outros. Se fosse no Brasil, a loja estaria às moscas. No entanto, como todo japonês que se preza, consumir é uma das coisas mais divertidas.
Saio da fila, procuro minha cadeira enquanto visualizo os japoneses vestindo a nova aquisição - uma camiseta preta escrita “Weezer Japan Tour”. Todos usavam a tal camiseta recém-comprada, parecendo um uniforme ou uma condição para se entrar no local. Vestindo uma regata vermelha, acho meu lugar - entre japoneses que vão sozinhos ao show e ficam quietos e sentados esperando o início. As cadeiras são extremamente pequenas, e alguém com o quadril da mulher melancia nunca conseguiria sentar no banco.
Com apenas um segurança em frente ao palco, Rivers Cuomo aparece bem antes do início, e senta-se na lateral do palco. Os japoneses começam a dar tchauzinho para ele e, só após certo tempo, percebo que o vocalista estava andando tranquilamente entre o público, sem ninguém tentando agarrá-lo ou algo parecido. Apenas “tchauzinhos”, alguns sorrisos e nada de fotos ou celulares sendo disparados - ambos são terminantemente proibidos durante o show.
Bem à vontade, Cuomo começa a falar japonês com certa desenvoltura e, em seguida, uma banda de japoneses entra na lateral do palco, portando baterias improvisadas e violões. Os japoneses e Rivers começam uma sessão acústica e, em seguida, a banda toda entra. Dá-se início ao show.
Com a banda e os japoneses, Cuomo canta enquanto caminha pela platéia, e já manda a bonitinha Island in the Sun, seguida de El Scorcho. Para finalizar a sessão calmaria acústica, tocam Beverly Hills. A banda se despede dos convidados, sai da lateral do palco e vão tocar no palco principal o que todos querem ver: a versão rock.
Os japoneses, empolgados, finalmente se levantam com Dope Nose, do Maladroit. Segue com o mais novo single do Red Album, Pork and Beans. A qualidade do som do local impressiona, e fica ainda mais visível quando tocam a terceira música, Hash Pipe, um dos clássicos do elogiado Green Album.
Os caras mostram que têm talento quando trocam de instrumentos e de vocais entre si. Em Automatic, do Red Album, Rivers vai para a bateria e Patrick Wilson, o baterista, vai para o vocal e guitarra. Embora seja muito boa, a música dá uma esfriada no público, que anima novamente quando inicia My name is Jonas, outro clássico do Blue Album. Pausa para o bis, e os japoneses batem palmas intermitentemente até a banda voltar. Cuomo, de shorts e meias altas, coloca um chapéu de caubói e volta ao palco, bem no estilo “nerd sim, e daí?”.
Em japonês, Cuomo adverte que é a primeira vez que eles tocam The Greatest Man That Ever Lived, uma das melhores do Red Album. Segue com a fraca Perfect Situation e a divertida Troublemaker, e pausa para mais um bis. Desta vez, aparentemente o show acabaria, mas a galera não pára, principalmente a meia dúzia de americanos e canadenses, que gritavam por todos os japoneses.
Os integrantes voltam e tocam a música que uma canadense ficou pedindo durante todo o show: Undone -The Sweater Song. Logo em seguida, o cover da manjada We Will Rock You, do Queen. Aí, dava pra perceber que o show ia acabar, mas os japoneses não sossegaram de bater palmas até que as luzes se acendessem.
Embora a platéia faça toda a diferença para o sucesso (ou não) de um show, o Weezer tocou todas as músicas com perfeição e soube dosar hits com as novas do Red Album.
Set List:
Acústicos
Island in the Sun
El Scorcho
Beverly Hills
Versão tradicional
Dope Nose
Pork and Beans
Hash Pipe
Suzanne
Buddy Holly
Pink Triangle
Automatic
Say It Ain’t So
Keep Fishin’
My name is Jonas
The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)
Perfect Situation
Troublemaker
Undone -The Sweater Song
We Will Rock You (cover)
Sonho de toda fã de Weezer é ouvir o Rivers Cuomo bem nerd, de óculos, cantando Buddy Holly de um jeito tímido enquanto a galera pula feito louca na platéia. Certo?
Bem, seria isso se eu tivesse ido ao primeiro e único show do Weezer no Brasil, em Curitiba. Disseram que foi um dos melhores shows do Weezer, mas o perdi, então fui onde tive a primeira oportunidade: no Japão, em Nagoya (capital de Aichi, a província com maior concentração de brasileiros no Japão).
Peguei o metrô ouvindo o Blue Album só para entrar no clima e, chegando ao local, vejo uma multidão de japas indies devidamente equipados para o show, que iniciaria numa terça, às 19h. Levavam bebidas e alguns petiscos, usavam camisetas criativas do Weezer e apenas os garotos (a grande maioria presente) usavam tênis - as meninas montaram no salto e abusaram da maquiagem.
Após entrar em uma fila devidamente organizada e sem chance de “furões”, a platéia entra no auditório, com cadeiras acolchoadas e marcadas previamente. Mas, antes, uma outra fila. Meio aborrecida, entro logo atrás e eis que, dez minutos depois, percebo o que era a tal fila: apenas dava para a loja de souvenirs, para que todos comprassem camisetas, cds, faixas, entre outros. Se fosse no Brasil, a loja estaria às moscas. No entanto, como todo japonês que se preza, consumir é uma das coisas mais divertidas.
Saio da fila, procuro minha cadeira enquanto visualizo os japoneses vestindo a nova aquisição - uma camiseta preta escrita “Weezer Japan Tour”. Todos usavam a tal camiseta recém-comprada, parecendo um uniforme ou uma condição para se entrar no local. Vestindo uma regata vermelha, acho meu lugar - entre japoneses que vão sozinhos ao show e ficam quietos e sentados esperando o início. As cadeiras são extremamente pequenas, e alguém com o quadril da mulher melancia nunca conseguiria sentar no banco.
Com apenas um segurança em frente ao palco, Rivers Cuomo aparece bem antes do início, e senta-se na lateral do palco. Os japoneses começam a dar tchauzinho para ele e, só após certo tempo, percebo que o vocalista estava andando tranquilamente entre o público, sem ninguém tentando agarrá-lo ou algo parecido. Apenas “tchauzinhos”, alguns sorrisos e nada de fotos ou celulares sendo disparados - ambos são terminantemente proibidos durante o show.
Bem à vontade, Cuomo começa a falar japonês com certa desenvoltura e, em seguida, uma banda de japoneses entra na lateral do palco, portando baterias improvisadas e violões. Os japoneses e Rivers começam uma sessão acústica e, em seguida, a banda toda entra. Dá-se início ao show.
Com a banda e os japoneses, Cuomo canta enquanto caminha pela platéia, e já manda a bonitinha Island in the Sun, seguida de El Scorcho. Para finalizar a sessão calmaria acústica, tocam Beverly Hills. A banda se despede dos convidados, sai da lateral do palco e vão tocar no palco principal o que todos querem ver: a versão rock.
Os japoneses, empolgados, finalmente se levantam com Dope Nose, do Maladroit. Segue com o mais novo single do Red Album, Pork and Beans. A qualidade do som do local impressiona, e fica ainda mais visível quando tocam a terceira música, Hash Pipe, um dos clássicos do elogiado Green Album.
Os caras mostram que têm talento quando trocam de instrumentos e de vocais entre si. Em Automatic, do Red Album, Rivers vai para a bateria e Patrick Wilson, o baterista, vai para o vocal e guitarra. Embora seja muito boa, a música dá uma esfriada no público, que anima novamente quando inicia My name is Jonas, outro clássico do Blue Album. Pausa para o bis, e os japoneses batem palmas intermitentemente até a banda voltar. Cuomo, de shorts e meias altas, coloca um chapéu de caubói e volta ao palco, bem no estilo “nerd sim, e daí?”.
Em japonês, Cuomo adverte que é a primeira vez que eles tocam The Greatest Man That Ever Lived, uma das melhores do Red Album. Segue com a fraca Perfect Situation e a divertida Troublemaker, e pausa para mais um bis. Desta vez, aparentemente o show acabaria, mas a galera não pára, principalmente a meia dúzia de americanos e canadenses, que gritavam por todos os japoneses.
Os integrantes voltam e tocam a música que uma canadense ficou pedindo durante todo o show: Undone -The Sweater Song. Logo em seguida, o cover da manjada We Will Rock You, do Queen. Aí, dava pra perceber que o show ia acabar, mas os japoneses não sossegaram de bater palmas até que as luzes se acendessem.
Embora a platéia faça toda a diferença para o sucesso (ou não) de um show, o Weezer tocou todas as músicas com perfeição e soube dosar hits com as novas do Red Album.
Set List:
Acústicos
Island in the Sun
El Scorcho
Beverly Hills
Versão tradicional
Dope Nose
Pork and Beans
Hash Pipe
Suzanne
Buddy Holly
Pink Triangle
Automatic
Say It Ain’t So
Keep Fishin’
My name is Jonas
The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)
Perfect Situation
Troublemaker
Undone -The Sweater Song
We Will Rock You (cover)
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